Vinicius de Moraes sempre foi embaixador

O Itamaraty concedeu uma promoção póstuma a Vinicius de Moraes, que era diplomata, a Embaixador no dia de ontem (16/ago/2010).  Depois de ser compulsoriamente aposentado pela ditadura militar, foi-se dedicar unicamente à música e à arte. Nos fizeram um grande favor o milicos num ato que poderia parecer bruto. Ainda bem que o demitiram e Vinicius pôde se dedicar exclusivamente ao piano e ao poema.

Nalgumas viagens que fiz ao exterior e conversando com os não-brasileiros, pude (e todos podem) perceber que temos muitos brasileiros famosos e, reconhecidamente, levam e elevam o nome de nosso país. Mas nem todos podem ser chamados de “embaixadores”.

Uma comparação: todos conhecem e reconhecem o Pelé como grande jogador de futebol, atleta exemplar e figura carismática. Mas isso não o faz “embaixador”. Vinícius de Moraes é-nos íntimo e propagador do que temos de melhor e com ele pudemos exportar arte, “o grau mais alto da capacidade humana” (Tom Zé). Ele só não tinha o título oficializado, mas levou o nome do Brasil a um reconhecimento único. Nem todos viram Pelé, nem se pode imitar suas façanhas; mas todos ouvimos Vinicius e podemos compartilhar sua genialidade, mergulhar em suas criações.

Para quem não viu a notícia:

42. Pessoa de Cor.

Em vista dos Jogos Olímpicos em Pequim daqui alguns dias, gostaria de retomar um tema importante para a humanidade nesses tempos onde todos se vêem juntos em um mesmo evento e momento.

Vamos celebrar as glórias humanas e a grandeza de toda a humanidade em sua variada cultura e grande diversidade de fenótipos (difenrentes características físicas exteriores).
Pois é isso que somos: uma só família de uma mesma raça – A Raça Humana!

Nesse blog mesmo já comentei sobre isso:
https://www.lemosideias.blogspot.com/2007/11/raa-humana.html

E aí, vi mais outro relacionado e muito divertido, que coloco abaixo.
http://www.youtube.com/watch?v=gC48cVVmUog

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32. Deus lhe pague.

Vasculhando a internet achamos um pouco de tudo. Bom mesmo é achar cultura, música. E fico pensando se ainda fazem músicas críticas e contestadoras como antigamente (no meu caso, qualquer coisa que tenha sido feita antes de eu nascer, é antigamente).

Achei um vídeo no YouTube com a Elis Regina interpretando “Deus lhe pague” do Chico Buarque. Vou abster-me de ser redundante e óbvio negando-me a dizer que a música é perfeita, a letra é intrigante e a Elis Regina é insubstituível.

Até outro dia mesmo eu fui ao Palácio das Artes (Belo Horizonte-MG, no dia 30/05) assistir Mônica Salmaso interpretando Chico Buarque. Fui com meus pais e um casal de amigos (o Felipe, que é músico, e a Sabryna). Foram executadas 12 ou 14 músicas do Chico e lá pelas tantas, a cantora parou pra dizer o quanto é difícil selecionar o que há de bom desse cara. TUDO é bom!

A Mônica Salmaso disse algo do tipo: Todos temos nossas 80 músicas preferidas do Chico Buarque.
É um bom desafio. Tente fazer uma lista com apenas 10 ou 12 melhores músicas dele. IMPOSSÍVEL!!!
Eu tentei. Só para conseguir pensar na minha preferida eu faço uma lista de 10 que poderiam ser a primeira da lista.

[vou colocar o link do vídeo de “Deus lhe pague” no final do artigo.]

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A banda de rock, O Rappa, já até regravou essa do Chico. E eles também têm boas músicas contestadoras. São ótimos na crítica social. Até um bom vídeo deles é da música “O Salto” (http://www.youtube.com/watch?v=HqYU_AC4AU0). Basta dizer que começa com o discurso de posse do Collor prometendo um Brasil novo – o que chega a ser hilário (sendo trágico), pra dizer o mínimo!

Boa mesmo é a inesquecível “Perfeição” da Legião Urbana, que começa com um sonoro “Vamos celebrar a estupidez humana”. O vídeo é também bastante simbólico: um campo florido, idílico, quase o paraíso para cantar as misérias humanas, numa contradição total (http://www.youtube.com/watch?v=jCm8HbyhOjQ). Ou então poderíamos enumerar outras do mesmo autor: “Faroeste Caboclo”; “Que país e esse?”; “Teatro dos Vampiros” etc…

A arte tem que nos ajudar a contestar!

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