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O que a Imprensa esconde a Internet expõe

E há quem ainda pense que pode controlar a opinião pública a partir da imprensa. Em tempos onde quase a metade da população do país já tem acesso à internet, usa ostensivamente redes sociais e lê “blogs sujos”, a Televisão vai se tornando cada vez mais mero lugar de entretenimento, jornais só para embrulhar peixe e revistas para afagar os corações da elite ignorante.

O José Serra e sua trupe tentou esconder os escândalos das privatizações e acreditou que bastava controlar a imprensa para o livro “A Privataria Tucana” passar batido. Mas a internet deu-lhe o tombo.

Na banca de flores [conto]

[um pequeno conto. escrevo contos tb. é uma boa forma de esvaziar o coração! Vou tentar colocar outros aqui de vez em quando...]

Seu olhar estava fixo nas rosas. Grandes, vermelhas, pendentes de seus ramos verdes – espinhos fortes e folhas finas, claras – aos milhares, por todo o balcão do fundo da loja. Algumas juntas em seus buquês enfeitados de ramas verdes e amarelas, papel de seda branco e gotas d’água, fingindo orvalho no início de uma manhã agradável. Mas era pouco mais de meio-dia. Aquele jovem poderia passar ali a tarde toda e não conseguiria ver mais do que rosas, que lhe pareciam bem iguais. E, as rosas, ficariam ali também indiferentes ao olhar do garoto.


- Todas preferem as rosas. São as que mais vendemos. Vermelhas e as maiores – disse sorrindo a florista.
Todas as mulheres gostam de flores, especialmente rosas vermelhas. E ele pensava que não poderia oferecer o que era comum a todas as outras, já que não a considerava comum, como as outras tantas garotas que via por aí. Esta era bem diferente, lhe arrancara sentimentos, desejo de ver mais e tê-la. Agora estava a escolher rosas comuns para uma garota que deixou acanhado seu coração de uma forma incomum.
- Fazemos um buquê como este que você está vendo. Sua namorada vai adorar. É namorada, certo? Claro, garotos na sua idade só podem ter namoradas – continuava a vendedora indiferente aos pensamentos do garoto – doze dessas, ficará lindo!
Doze? Não entendeu. Uma dúzia lhe parecia pouco e também não era um número expressivo. Será que ela contaria quantas rosas havia? Provavelmente não. Nenhuma garota conta. Então, se rosas eram flores comuns, sempre em número de doze, resolveu que não mandaria as tais. Olhou à sua volta. Não era uma floricultura, era apenas um lugar pequeno, como uma pequena banca onde todas as flores ficavam expostas todas juntas, sem uma ordem aparente, formando um jardim que corria do chão ao teto com vasos pendentes e enfileirados nas prateleiras das paredes. Passavam por todo o balcão, e só eram interrompidas pela pilha de cartões de papel coloridos e dizeres poéticos de amor.
- Há outras flores… quais são as mais bonitas? – não estava falando com a florista, apenas pensando alto.
- Têm as margaridas e os vasos de orquídeas de muitas cores; as brancas são especialmente delicadas…
O rapaz já não ouvia mais a florista, penetrado em procurar nas pequenas flores a beleza que encontrou na garota que lhe fizera apaixonado. Agora já não queria algo simples, precisava que ela percebesse que estaria recebendo algo diferente. Nada de costumeiros buquês de rosas chatas – algum outro já poderia ter-lhe mandado às dúzias. Procurava pensar em algo que não parecesse igual. Caminhava por entre as pequenas espalhadas ao chão, dando passos medidos com todo o cuidado para que seus olhos percorressem cada pétala de flor ali exposta – era preciso transmitir sentimentos.

- Posso fazer um buquê de lírios. Com dezoito deles – mais uma vez falando em voz alta.
- Lírios? Não se faz buquê com lírios. Além disso ficará muito grande com tantas flores. Os lírios são mais caros que as rosas e as rosas ainda são as flores da paixão… – interrompia a vendedora.
- Rosas são comuns demais. Posso mandar um buquê grande sim, mas como um pequeno jardim e enfeitar os lírios com as cores de outras pequenas flores. Salpicamos dessas ramas verdes e amarelas, entremeadas das margaridas amarelas…dezoito lírios. É o nosso número – não parava de pensar.

Provavelmente ela não contaria o número de lírios presentes e também não conseguiria carregar sozinha o pequeno jardim. Mesmo assim, queria marcar de símbolos aquele presente, que insistia, não poderia ser igual aos outros. Sem entender muito, a florista estava admirada com a criatividade do garoto e poderia emprestar um pouco de sua técnica em somar as cores das flores e dos papeis de seda. Não era preciso que ele explicasse muito mais, já entendia que se tratava de um amor novo.

A florista terminou o pequeno jardim imaginado pelo jovem. Ele gostou muito e só faltava entregar à sua garota. Escreveu também um cartão novo, já que não queria comprar esses com poemas já impressos, precisava de algo de si. Mais papel de seda e, dobrando, escreveu com letra cuidadosa o nome dela, que agora era seu mantra.
Esperou que terminasse de fazer o presente e, depois de colocar o cartão por entre tantas flores, despediu-se. Esperaria em casa até a hora de poder encontrar com sua amada e receber dela um sorriso como prêmio.

A florista, caminhando pelas ruas, via a admiração do todos que por tal jardim passavam, e todos sorriam. Bateu à porta da jovem que abrindo a porta, sorriu também. Uma lágrima de alegria correu de seus olhos que também sorriam pelo presente inesperado. E, antes mesmo de recebê-lo, chamou pelo nome de seu namorado – nem foi preciso que a florista dissesse de quem vinha, nem que a assinatura no fim do cartão fosse lida – ela sabia de onde vinha. Abriu os braços acolhendo aquele jardim.

Levou até seu quarto, achou o cartão entre as cores e, terminando de ler, contou os lírios.
- Dezoito… são dezoito lírios… nosso número! Meu pequeno jardim!

29. Favor queimar estes livros.

Foi publicada uma matéria na Folha de São Paulo, do dia 17 de Maio de 2008, que conta da decisão do Ministério Público da Bahia de recolher o livro “Sim, Sim! Não, Não!” do Padre Jonas Abib, fundador da comunidade católica Canção Nova.

O motivo: contém críticas a práticas espíritas e de religiões afro-brasileiras.
Alguém poderia dizer que o Padre tenha sido um pouco duro em suas colocações. Eu mesmo nunca li o livro, mas acompanho o trabalho da CN a mais de 10 anos e tenho um amigo vivendo nela. O Padre Jonas não é um qualquer falando ou criticando algo que ele não conheça. Trata-se de um padre – com formação acadêmica séria: teologia e filosofia; um homem da mídia e notório pregador da fé cristã católica. Quando o vemos falar ou lemos o que escreve, percebemos um homem culto e bem fundamentado em seus argumentos. Tem o respaldo e o apoio de muitos bispos e o testemunho de um trabalho consagrado e reconhecidamente forte no Brasil e no mundo a mais de 30 anos.

Mas, mesmo que se tratasse da opinião de um qualquer, censurar um livro e proibir sua venda é ato, de um orgão público (do Estado), lícito num país que se diz democrático???

Lutamos décadas pela liberdade que temos hoje e a possibilidade de nos expressarmos como quisermos. Foram longos anos de ditadura e mordaça. Vencemos os medos. Se estamos num “país livre” (adoro essa expressão – acho que já não significa nada; foi esvaziada de significado pelos discursos estadunidenses, mas…), nada mais justo o debate, até no âmbito religioso.

Eu, como teólogo, tenho que defender o Padre Jonas Abib. Se não pudermos comparar o que cremos com o que está aí no “mercado religioso”, nosso trabalho será apenas andar em círculos e nos fecharmos dentro de nosso mundo cristianizado.

Aqueles que discordam do sr. Padre Jonas, escrevam seus livros. Debatam. Pensem.

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P.S.:
Os Srs. Promotores da Bahia não têm nada mais grave pra investigar?
Não é do nordeste que vêem as principais denúncias de prostituição infantil e turismo sexual no Brasil???
Acho que isso é mais importante que a opinião do Padre sobre Candomblé e tem mais a ver com o trabalho do Ministério Público.

[Copiei a idéia desse artigo do blog: Xô Censura.]

14. Ensaio sobre a Cegueira

O filme acaba de ser lançado no Festival de Cannes, baseado na obra do escritor português José Saramago – Ensaio sobre a Cegueira – onde para a telona tem o nome de “Blindness” – de Fernando Meirelles (Brasileiro), mas o filme é uma parceria de diversos países e que conta com muitos atores conhecidos. Nem é preciso dizer que recomenda-se a leitura do livro antes de se ver o filme. Estranho é fazer tal recomendação que poderia parecer óbvia em outras culturas, mas na brasileira, infelizmente, não tem-se o hábito de ler (não custa insistir!).

Tive a oportunidade de ler isso em 2002, e o fiz por três vezes seguidas. É uma leitura difícil, aterradora, em alguns momentos, diante do realismo em que cenas são descritas. E, nem é preciso dizer o quanto é brilhante – o que seria redundante; brilhante e genial vêem somados ao nome José Saramago.
Profundamente descritivo, de personagens sem nome ou mesmo histórias, conta-se de uma epidemia de “cegueira-branca”. Todos estão cegos, por todo o mundo, inesperadamente.

Diante disso, não é preciso também dizer do caos que instaura-se por toda parte. A humanidade perde-se daquilo que a faz humana.

Segue o trailer do filme. Como ainda não pesquisei, não sei quando será a estréia aqui no Brasil.

(Legendado em português – link do youtube)
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