19. Eucaristia, Comunhão e Solidariedade – Parte 3/3
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[Esta é a ultima parte do comentário sobre o discurso do então Cardeal Joseph Ratzinger, no congresso eucarístico de Benevento (Itália) em 2002.]
3 – Solidariedade:
Temos agora a ultima parte do texto. Muito conciso, mas profundo em teologia e espiritualidade, introduz-nos numa percepção da grande transformação que opera em nós o celebrar e receber o Pão e o Vinho. Chama aqui a Eucaristia de “Sacramento das transformações”.
Muitas palavras das formulações teológicas de séculos perderam seu verdadeiro sentido e profundidade, não pela evolução da teologia ou de outras ciências, mas por terem caído em desuso ou por simplesmente não oferecerem mais significado claro. A grande maioria do povo nunca lançou mão de tais para explicar sua fé. Isso também aconteceu com a palavra “transubstanciação”. Mesmo os teólogos evitam seu uso e uma leitura mais superficial e descuidada pode nos levar a entendimentos equivocados. Mesmo assim, neste texto, o Cardeal Joseph Ratzinger usa-a de forma magistral. Dá a ela todo o significado de transformação que a eucaristia proporciona, indo além do Pão e do Vinho eucaristizados. Como um místico cristão dos primeiros séculos faria, dando conteúdo espiritual para as formulações teológicas.Chega-se às duas ultimas transformações provenientes do que acabamos de ver. Jesus se faz presente no Pão e no Vinho com uma finalidade clara que é transformar o homem num só corpo com ele:
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18. Eucaristia, Comunhão e Solidariedade – Parte 2/3
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2 – Comunhão:
No decorrer de sua argumentação nesta parte do texto, Ratzinger, faz uma análise rápida sobre conceitos ao mesmo tempo interligados, mas distintos e que nos ajudam a entender a Igreja: “Ekklesia” (Igreja) e “Concilium”. A segunda poderia ser usada para explicar a estrutura da Igreja: “a Igreja seria o contínuo Concílio de Deus no mundo”, mas a Igreja “não existe antes de tudo para deliberar, mas para viver a palavra que nos é dada”. Cabe ao Concílio ser “a realização mais intensa em absoluto da Igreja, ou seja, o ponto máximo da Igreja”. É limitada, portanto, esta palavra para explicar a Igreja.
17. Eucaristia, Comunhão e Solidariedade – Parte 1/3
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Sua Santidade, o Papa Bento XVI, assumiu seu pontificado durante o ano dedicado à Eucaristia e em sua primeira mensagem na chamada Santa Missa pela Igreja Universal no dia 20 de Abril de 2005, deu-nos uma grande lição: “A Eucaristia, coração da vida cristã e fonte da missão evangelizadora da Igreja, não pode deixar de constituir o centro permanente e a fonte do serviço petrino que me foi oferecido.”
Chama a Eucaristia de “fonte” de seu serviço como Papa. De tudo aquilo que Deus nos deixou, agarra-se a este sacramento como forma de garantir que Cristo seja sempre o centro de nossa fé. Exatamente assim, nós que somos o povo de Deus, os membros da Igreja, que é Corpo de Cristo, devemos viver: buscando constantemente a Cristo na santa missa e na Comunhão, como nossa “fonte”.
Encontramos um texto anterior à sua eleição, ainda como Ratzinger, na Congregação para Doutrina da Fé, durante o pontificado de João Paulo II. É um texto bastante espontâneo e nos mostra a profundidade da espiritualidade eucarística desse homem que mais tarde assumiria a frente da Igreja para confirmá-la em Jesus (Lc 22,32b). Num Congresso Eucarístico em Benevento (Itália), no dia 2 de Junho de 2002, com o tema “Eucaristia, Comunhão e Solidariedade”, o então Cardeal Joseph Ratzinger fez uma profunda análise bem pastoral, percorrendo essas três palavras durante sua intervenção (para ler o discurso na íntegra, clique aqui).
1 – Eucaristia:
“Compreende-se que o essencial no acontecimento da ultima ceia não era comer o cordeiro e os outros pratos tradicionais”. As palavras de Jesus passam a ser o centro; por elas ele se dá como oferta de si mesmo e rendemos graças por sua morte.
16. Sacramentos no Vaticano II
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O Concílio Vaticano II fez um belo resumo dos sacrametos da Igreja no texto da Constituição Dogmática LUMEN GENTIUM – Sobre a Igreja. Aqueles que se aproximam do sacramento da Penitência, obtêm da misericórdia de Deus o perdão da ofensa a Ele feita e ao mesmo tempo reconciliam-se com a Igreja, que tinham ferido com o seu pecado, a qual, pela caridade, exemplo e oração, trabalha pela sua conversão. Pela santa Unção dos enfermos e pela oração dos presbíteros, toda a Igreja encomenda os doentes ao Senhor padecente e glorificado para que os salve (cfr. Tg. 5, 14-16); mais ainda, exorta-os a que, associando-se livremente à Paixão e morte de Cristo (cfr. Rom. 8,17; Col. 1,24; 2 Tim. 11,12; 1 Ped. 4,13), concorram para o bem do Povo de Deus. Por sua vez, aqueles de entre os fiéis que são assinalados com a sagrada Ordem, ficam constituídos em nome de Cristo para apascentar a Igreja com a palavra e graça de Deus. Finalmente, os cônjuges cristãos, em virtude do sacramento do Matrimónio, com que significam e. participam o mistério da unidade do amor fecundo entre Cristo e a Igreja (cfr. Ef. 5,32), auxiliam-se mutuamente para a santidade, pela vida conjugal e pela procriação e educação dos filhos, e têm assim, no seu estado de vida e na sua ordem, um dom próprio no Povo de Deus (cfr. 1 Cor. 7,7). Desta união origina-se a família, na qual nascem novos cidadãos da sociedade humana os quais, para perpetuar o Povo de Deus através dos tempos, se tornam filhos de Deus pela graça do Espírito Santo, no Baptismo. Na família, como numa igreja doméstica, devem os pais, pela palavra e pelo exemplo, ser para os filhos os primeiros arautos da fé e favorecer a vocação própria de cada um, especialmente a vocação sagrada.
Vale a pena citar aqui, então, o parágrafo 11 deste magnífico documento que, com palavras fortes e seguras nos dá a reta orientação do lugar sagrado dos sacramentos na vida de fé do cristão e da comunidade. Tais sacramentos são em vista da manifestação do Sacerdócio comum dos fieis.
Munidos de tantos e tão grandes meios de salvação, todos os fiéis, seja qual for a sua condição ou estado, são chamados pelo Senhor à perfeição do Pai, cada um por seu caminho.”
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