26. Maria: Mãe de Deus! (Teotokos ou Cristotokos?)

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Posted on : 06-06-2008 | By : Marcos Lemos (@hordones) | In : Citações, Comentários Bíblicos, Comentários Teológicos, Maria (Nossa Senhora)

Chamamos Maria de “Mãe de Deus”. Mas, o que entendemos disso?
Para ilustrar essa teologia tão complicada, cito abaixo o comentário do Catecismo da Igreja Católica. Esse é um livro de capa amarela, que pode ser encontrado em toda boa livraria católica e também deveria constar do material de leitura de todo Católico. Nele pode-se ler uma síntese dos principais consteúdos da nossa Doutrina da Fé e aprender mais sobre o que cremos e professamos como nossa fé cristã.

Sobre o tema da maternidade divina de Maria, vale salientar que este é um conteúdo Cristológico, ou seja, diz respeito à pessoa de Jesus, quer tratar sobre quem é Jesus para nós. Assim, a Igreja quis definir, ao chamar Maria de “Mãe de Deus” (Teotokos), que o ente nascido de seu ventre é Deus em sua totalidade – o verbo de Deus humanado, feito homem, conforme Jo 1,1.14a e Lc 1,26-38 (a saber):

Jo 1,1.14a = “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus e o Verbo era Deus. (…) E o Verbo se fez carne e habitou entre nós.”
Lc 1,28.30-32 = “Disse o anjo: ‘Ave, cheia de Graça, o Senhor é contigo (…). Maria, tu encontraste graça diante de Deus. Eis que conceberás e darás à luz um filho, e lhe darás o nome de Jesus. Ele será grande e será chamado ‘Filho do Altíssimo’.'”

Concorda-se que, dizer de Maria apenas Cristotokos (Mãe do Cristo), ficaria vago, levando alguns a crer que Jesus não é “Deus de Deus (…) Deus verdadeiro de Deus verdadeiro”. Pode-se comenter o engano de algumas heresias e crer que Jesus foi um homem qualquer, apenas inspirado por Deus ou adotado por Deus; ou erroneamente que era Deus, mas apenas com aparência humana.

Chamar Maria de Teotokos (Mãe de Deus) é garantir a totalidade de nossa fé em Jesus sendo homem por inteiro e Deus por inteiro, sem se dividir ou diminuir em sua glória eterna.

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Então, citando um pequeno trecho do Catecismo da Igreja Católica, parágrafo 466:

“A heresia nestoriana via em Cristo uma pessoa humana unida à pessoa divina do Filho de Deus. Diante dela, S. Cirilo de Alexandria e o III Concílio Ecumênico, reunidio em Éfeso em 431, confessaram que ‘O Verbo, unindo a si em sua pessoa uma carne animada por uma alma racional, se tornou homem’ (DS 250). A humanidade de Cristo não tem outro sujeito senão a pessoa divina do Filho de Deus, que a assumiu e a fez sua desde sua concepção. Por isso o Concílio de Éfeso proclamou em 431, que Maria se tornou verdadeiramente Mãe de Deus pela concepção humana do Filho de Deus em seu seio:
Mãe de Deus não porque o Verbo de Deus tirou dela sua natureza divina, mas porque é dela que ele tem o corpo sagrado dotado de uma alma racional, unido ao qual, na sua pessoa, se diz que o Verbo nasceu segundo a carne (DS 251)’.”

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Aqui está uma boa explicação de porque chamar Maria de Mãe de Deus (Teotokos)!

24. Pesquisas e a vida humana

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Posted on : 02-06-2008 | By : Marcos Lemos (@hordones) | In : Citações, Comentários Teológicos, Documentos da Igreja, Família
Diante dos recentes debates sobre pesquisas com Células-tronco embrionárias aqui no Brasil, gostaria de disponibilizar alguns textos para aqueles que querem entender melhor a posição da Igreja Católica frente a essa questão tão delicada.
Esse assunto vai muito além do foco da mídia que pergunta unicamente “onde começa a vida humana”. Não responde, nem resolve todo o problema, saber se há vida humana em um amontoado de células congeladas em laboratórios de fertilização. As questões de moral e ética estão no respeito irrestrito ao cuidado pelo ser humano em todas as suas fazes de desenvolvimento, mas principalmente quando esse ser-humano não pode ou não é capaz de manifestar-se até com aparência.
Se olharmos para a história, em um passado bem recente, veremos momentos em que a humanidade discutia, em alguns lugares, se crianças nascidas com algum grau de deficiência (física ou metal) poderiam ser sacrificadas (abortadas tardiamente) para garantir uma humanidade mais “pura” ou simplesmente para evitar custos financeiros elevados, não só dos pais, mas também do Estado.
Hoje, ao consideramos tal possibilidade absurda, alguns querem admitir que pais (especialmente a mãe) possa escolher interromper uma gravidez de um filho com algum problema genético ou de má formação. Apenas mudamos o dilema de lugar. Se antes cogitava-se a possibilidade de matar uma criança “inválida”, por quê não antes mesmo de nascer?
Atribuímos utilidade às pessoas.
É contra isso que a Igreja luta. A vida humana não é um bem de consumo. Não se aceita a coisificação do ser-humano apenas como objeto de utilidade imediata e/ou descartável, especialmente em se tratando da vida. Se a humanidade passar a perder o sentido do outro, perderemos a noção de nosso próprio valor.
E, se a ciência quer pesquisar células-tronco, que a obtenham de outras maneiras e com outras técnicas, que hoje são reconhecidamente possíveis e viáveis (p.ex. da medula óssea).
Para terminar, levanto outra dúvida:
A quem beneficiará tais pesquisas? Sendo apenas para quem puder pagar o valor dos avanços ou sendo para distanciar cada vez mais pobres de ricos, segregando a humanidade em castas (puros e impuros; úteis e inúteis), podem ter certeza, a Igreja será contra.
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[seguem dois links para textos oficiais da Igreja Católica sobre o tema. Site do Vaticano.]

- Compêndio da Doutrina Social da Igreja (Ver os parágrafos: 235; 236; 237).
Este Compêndio reúne toda a Doutrina social em seus diversos temas. Uma ótima fonte de estudos. Vale a pena encontrar e comprar em alguma livraria Católica.
Outro link que vale a pena conferir é do Supremo Tribunal Federal.
Na parte de Notícias do dia 29 de Maio de 2008, é possível conhecer um resumo dos argumentos de cada Ministro (clique aqui).
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19. Eucaristia, Comunhão e Solidariedade – Parte 3/3

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Posted on : 24-05-2008 | By : Marcos Lemos (@hordones) | In : Citações, Comentários Teológicos, Documentos da Igreja, Eucaristia

[Esta é a ultima parte do comentário sobre o discurso do então Cardeal Joseph Ratzinger, no congresso eucarístico de Benevento (Itália) em 2002.]

3 – Solidariedade:

O que dizer agora da palavra “solidariedade”? Esta não tem origem na tradição cristã nem na bíblia, diferente das duas anteriores. Esta é uma palavra que nos remete a conceitos criados para contrapor-se “à idéia de amor cristão, como a nova, racional e eficaz resposta ao problema social”. Este conceito surge para justificar as buscas do socialismo nascente e assume a missão de garantir a igualdade de todos. Mas esta é uma teoria frustrada desde o início por desconsiderar Deus. “Sem Deus as coisas não podem correr bem”. Mas este foi um conceito cristianizado, assumindo um caráter de responsabilidade, de manifestação do amor fraterno. “Precisamos da fé em Jesus Cristo, porque ela une razão e religião” e a fé torna-se o critério que modelará nossa responsabilidade social.

Temos agora a ultima parte do texto. Muito conciso, mas profundo em teologia e espiritualidade, introduz-nos numa percepção da grande transformação que opera em nós o celebrar e receber o Pão e o Vinho. Chama aqui a Eucaristia de “Sacramento das transformações”.
Muitas palavras das formulações teológicas de séculos perderam seu verdadeiro sentido e profundidade, não pela evolução da teologia ou de outras ciências, mas por terem caído em desuso ou por simplesmente não oferecerem mais significado claro. A grande maioria do povo nunca lançou mão de tais para explicar sua fé. Isso também aconteceu com a palavra “transubstanciação”. Mesmo os teólogos evitam seu uso e uma leitura mais superficial e descuidada pode nos levar a entendimentos equivocados. Mesmo assim, neste texto, o Cardeal Joseph Ratzinger usa-a de forma magistral. Dá a ela todo o significado de transformação que a eucaristia proporciona, indo além do Pão e do Vinho eucaristizados. Como um místico cristão dos primeiros séculos faria, dando conteúdo espiritual para as formulações teológicas.
Lendo o Cânone Romano da liturgia eucarística no momento da consagração das espécies, afirma que “O pão torna-se corpo, o seu corpo. O pão da terra torna-se o pão de Deus, o ‘maná’ do céu, com o qual Deus alimenta os homens não só na vida terrena, mas também na perspectiva da ressurreição”, ressurreição essa que já começa a acontecer naquele instante. Relembra também dois textos importantes do evangelho, onde Jesus é tentado a transformar pedras em pão (Mt 4,3-4 e Lc 4.3-4) para matar sua fome, e ainda, sendo provocado, lembra que Deus pode fazer das pedras surgir filhos de Abraão, mas prefere “transformar o pão no corpo, no seu corpo”. Jesus pode dar seu corpo como alimento no pão e no vinho, pois prefigura sua entrega definitiva na cruz. “Ele pode tornar-se dom, porque é oferecido. Através do ato da doação ele torna-se capaz de comunicação”.
Começa aqui a relatar as transformações, num total de cinco delas, onde, na última ceia acontecerão três delas num único ato que gera outras duas transformações. A transformação originante, que está antecipada na ultima ceia, é o que Jesus faz com a violência sofrida, onde ele mesmo “põe fim à violência, transformando-a em amor. O ato de morte é transformado em amor. Esta é a transformação fundamental, sobre a qual tudo se baseia”. Por esta transformação é que o mundo pode ser redimido, onde o Cristo vence todo tipo de morte, vence tudo o que gera morte – “a própria morte foi transformada”. “E assim, na transformação da ressurreição Cristo continua a subsistir, mas agora de tal forma transformado, que seu corpo e o dar-se já não se excluem, mas um implica o outro”. Agora, ao recebermos Jesus, o recebemos por inteiro, não só espiritualmente, mas na sua totalidade, também em seu corpo.
Somado a isso temos a segunda transformação, dependente total da primeira e nela contida. “O corpo mortal [de Jesus] é transformado no corpo da ressurreição: no espírito que dá vida”. Isto também é antecipado na ceia, onde num mesmo momento Jesus morre na cruz e se é ressuscitado. Toda esta transformação é vivida na ceia e na entrega de Jesus. Daqui passamos para a terceira transformação que diz respeito ao Pão e o Vinho. Neles será contida toda a transformação e ação do Cristo Jesus. Estes são transformados de tal maneira que “está presente o próprio Senhor que se dá, a sua oferenda, ele mesmo porque ele é dom. O ato da doação não é algo dele, mas é ele próprio”. Pão e Vinho são transformados na presença do próprio Senhor.
Chega-se às duas ultimas transformações provenientes do que acabamos de ver. Jesus se faz presente no Pão e no Vinho com uma finalidade clara que é transformar o homem num só corpo com ele:
“Para que nos tornemos um só pão com ele e depois um só corpo com ele. A transformação dos dons, que é unicamente a continuidade das transformações fundamentais da cruz e da ressurreição, não é o ponto final, mas, por sua vez, só um início. O fim da Eucaristia é a transformação de quantos a recebem na autêntica comunhão com a sua transformação”.

E assim, “nos tornamos com Cristo e em Cristo um organismo de doação, a fim de vivermos com vista à ressurreição e ao novo mundo”. Este é o passo a ser dado para a quinta e ultima transformação. Toda a criação é participante deste evento em nós e por nós homens. A Criação também é transformada para tornar-se “habitação viva de Deus”.
Por estes passos aprofundamos no sentido da real transubstanciação que vai muito além da discussão do que acontece com as espécies eucarísticas. A totalidade da presença de Jesus não pode ser contida ou limitada pelo pão e pelo vinho, mas deve transbordar em nós que o recebemos e dele nos alimentamos. Pois não basta fazer-se presente sob o véu da aparência de pão e vinho se não promover transformações definitivas em nós homens. É preciso ir e comer, receber e beber de seu corpo, provar da transformação.

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[Fim da parte 3 de 3.]

18. Eucaristia, Comunhão e Solidariedade – Parte 2/3

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Posted on : 23-05-2008 | By : Marcos Lemos (@hordones) | In : Citações, Comentários Teológicos, Documentos da Igreja, Eucaristia
[Continua o comentário do Discurso do então Cardeal Joseph Ratzinger, em um congresso eucarísitico em 2002]

2 – Comunhão:
Caminhando neste pequeno texto, chegamos à palavra “Comunhão”. Esta é uma palavra bastante usada atualmente e “é uma das palavras mais profundas e características da tradição cristã”. Por este motivo, nos chama a atenção nosso então cardeal, devemos entender seu significado em profundidade.

No decorrer de sua argumentação nesta parte do texto, Ratzinger, faz uma análise rápida sobre conceitos ao mesmo tempo interligados, mas distintos e que nos ajudam a entender a Igreja: “Ekklesia” (Igreja) e “Concilium”. A segunda poderia ser usada para explicar a estrutura da Igreja: “a Igreja seria o contínuo Concílio de Deus no mundo”, mas a Igreja “não existe antes de tudo para deliberar, mas para viver a palavra que nos é dada”. Cabe ao Concílio ser “a realização mais intensa em absoluto da Igreja, ou seja, o ponto máximo da Igreja”. É limitada, portanto, esta palavra para explicar a Igreja.
Conclui esse comentário assim: “A Igreja realiza Concílios, mas ela é Comunhão (…). A Sua estrutura não deve ser descrita com a palavra ‘conciliar’, mas antes com a palavra ‘comunhão’”. A Igreja deve ser descrita como Comunhão. A preocupação deste futuro papa com o entendimento correto das palavras que usamos para descrever a Igreja, nos faz entender sua grande atenção ao mistério Eucarístico. Começa então a relacionar o uso da palavra Comunhão com o mistério da Ceia. Lembra-nos que mesmo sendo usada para descrever a Igreja, aponta-nos “para o centro eucarístico (…) e, desta forma, fixa a compreensão da Igreja no lugar mais íntimo do encontro entre Jesus e os homens, no ato da sua entrega por nós”.
Discorrendo sobre 1Cor 10,16s, vamos reproduzir diretamente trechos do texto onde Joseph Ratzinger, explica-nos a palavra Comunhão como um conceito eucarístico:
“O conceito de comunhão está, em primeiro lugar, ancorado no Santíssimo Sacramento da Eucaristia (…). Aqui é-nos dito que através do sacramento nós entramos de certa forma em comunhão de sangue com Jesus Cristo, onde sangue, segundo a visão hebraica significa ‘vida’, e, por conseguinte, é afirmada uma compenetração da vida de Cristo com a nossa (…). São ainda mais impressionantes as palavras sobre o pão (cf. 1Cor 6,17s; Ef 5,26-32) (…). Paulo explica este conceito partindo de outro ponto de vista, quando diz: é um só e único pão, que todos nós aqui recebemos. Isto tem um sentido muito forte: o ‘pão’ o novo Maná, que Deus nos oferece é para todos o único e mesmo Cristo. É deveras o único, idêntico e mesmo Senhor que nós recebemos na eucaristia, ou melhor: que nos recebe e nos assume consigo”.

Reverte aqui a forma de percebermos nossa relação com o Cristo do Pão. Quando sempre pensamos que o estamos a receber, é ele quem nos acolhe em sua bondade divina. Não é como o pão cotidiano que só alimenta o corpo, “este pão é de outro gênero”.
“É maior e está acima de nós. Não somos nós que o assimilamos, mas é ele que nos assimila, fazendo com que nos conformemos com Cristo, de certa forma como diz Paulo tornando-nos membros do seu corpo, uma só coisa nele. Todos nós comemos da mesma pessoa, e não só da mesma coisa; desta forma, todos nós somos arrancados ao nosso individualismo fechado, para sermos inseridos noutro maior. Todos nós somos assimilados a Cristo e assim, através da comunhão com Cristo também estamos unidos entre nós (…)”.

Há aqui um grande dinamismo de relações que começa no Cristo. Este nos recebe em si, fazendo-nos parte de seu corpo glorioso, inserindo-nos no mistério de sua humanidade divina por uma corporeidade maior, numa relação que não pode ser limitada – somos transformados em um com Ele. Mas isto não é uma experiência individual. Ensina-nos, Ratzinger, que esta é uma relação ampla, que intensifica também as relações entre nós. “A Igreja não nasce como uma simples federação de comunidades. Ela nasce a partir do único pão, do único Senhor e é a partir d’Ele desde o início e em toda parte uma e única, o único corpo que deriva de um único pão”.

Para completar esse tema e seguindo essa linha de entendimento de “comunhão recíproca”, comenta a 1Jo 3-7. Especialmente lemos assim no v. 7: “Mas se caminhamos na luz / como ele está na luz, / estamos em comunhão uns com os outros”. Mantendo a mesma linha de pensamento encontrada em Paulo sobre a unidade do Corpo de Cristo e nossa participação nele, “a comunhão com Jesus torna-se comunhão com o próprio Deus, comunhão com a luz e com o amor; torna-se a vida reta, e tudo isto nos une uns aos outros na verdade. Se considerarmos a comunhão nesta profundidade e amplidão, então temos alguma coisa para dizer ao mundo.” Fica como uma provocação à nossa forma de viver exteriormente o cristianismo que professamos como fé, já que “quem reconhece o Senhor no Tabernáculo, também o reconhece nos que sofrem e nos necessitados”. A profundidade de nossas relações de comunhão determinam nosso engajamento, pois comunhão com Deus em Jesus Cristo não é algo que fica apenas no transcendente, como que insensível com a realidade concreta da humanidade toda, é preciso engajar-se.
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[Fim da parte 2 de 3. Continua...]

17. Eucaristia, Comunhão e Solidariedade – Parte 1/3

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Posted on : 22-05-2008 | By : Marcos Lemos (@hordones) | In : Citações, Comentários Teológicos, Documentos da Igreja, Eucaristia
[Segue um pequeno comentário, em três partes, de uma intervenção do então Cardeal Joseph Ratzinger, num congresso eucarístico em 2002 na cidade de Benevento (Itália).]

Sua Santidade, o Papa Bento XVI, assumiu seu pontificado durante o ano dedicado à Eucaristia e em sua primeira mensagem na chamada Santa Missa pela Igreja Universal no dia 20 de Abril de 2005, deu-nos uma grande lição: “A Eucaristia, coração da vida cristã e fonte da missão evangelizadora da Igreja, não pode deixar de constituir o centro permanente e a fonte do serviço petrino que me foi oferecido.”


Chama a Eucaristia de “fonte” de seu serviço como Papa. De tudo aquilo que Deus nos deixou, agarra-se a este sacramento como forma de garantir que Cristo seja sempre o centro de nossa fé. Exatamente assim, nós que somos o povo de Deus, os membros da Igreja, que é Corpo de Cristo, devemos viver: buscando constantemente a Cristo na santa missa e na Comunhão, como nossa “fonte”.

Encontramos um texto anterior à sua eleição, ainda como Ratzinger, na Congregação para Doutrina da Fé, durante o pontificado de João Paulo II. É um texto bastante espontâneo e nos mostra a profundidade da espiritualidade eucarística desse homem que mais tarde assumiria a frente da Igreja para confirmá-la em Jesus (Lc 22,32b). Num Congresso Eucarístico em Benevento (Itália), no dia 2 de Junho de 2002, com o tema “Eucaristia, Comunhão e Solidariedade”, o então Cardeal Joseph Ratzinger fez uma profunda análise bem pastoral, percorrendo essas três palavras durante sua intervenção (para ler o discurso na íntegra, clique aqui).

Começa lembrando-nos que “quem está à parte da reta doutrina, mostra-se com um coração limitado, rígido, potencialmente intolerante”. Acrescenta: “a doutrina sozinha, se não se é vida e ação, torna-se conversa inútil e por isso também vazia. A verdade é concreta”. Por isso mesmo vamos adentrar na sã doutrina, para nos enchermos da verdade Divina e sermos capazes de justificar nossa fé.

1 – Eucaristia:
Com simplicidade divide seu texto em três partes, uma para cada palavra, a começar por “Eucaristia”, apontando seu uso e sua transformação especialmente entre os primeiros cristãos, lembrando que este é o nome mais comum para o Sacramento, mas tem um amplo uso na Igreja. Mas antes, este sacramento era chamado de “Ceia do Senhor”, conforme os relatos de São Paulo. Tinha o caráter de refeição e reunião para comer, pois herdou esta forma da festividade da Páscoa judaica. Logo, os primeiros cristãos, muitas vezes se reuniam para uma refeição, onde eram inseridos elementos do memorial de Jesus. A problemática surge quando percebe-se que esta relação com a festa judaica é apenas externa, já que Jesus não mandou que repetissem a ceia pascal judaica por inteiro. Esta era apenas a moldura, não era o Sacramento, visto que o Senhor nos deixou um novo dom. “Assim a Igreja, assumindo uma configuração específica própria, libertou progressivamente o dom específico do Senhor, o que era novo e permanente, do velho contexto e deu-lhe forma própria”. Vem então agregar valor ao dom deixado por Jesus à Liturgia da Palavra “que tem o seu modelo na sinagoga”.
“Compreende-se que o essencial no acontecimento da ultima ceia não era comer o cordeiro e os outros pratos tradicionais”. As palavras de Jesus passam a ser o centro; por elas ele se dá como oferta de si mesmo e rendemos graças por sua morte.
“Vários Padres designavam a Eucaristia simplesmente como ‘oratio’ (Oração), como ‘sacrifício da palavra’, como sacrifício espiritual, mas que também se torna matéria transformada: pão e vinho tornam-se corpo e sangue de Cristo, o novo alimento, que sustenta para a ressurreição, para a vida eterna. Assim, toda a estrutura de palavras e elementos materiais tornam-se antecipação da eterna boda de núpcias”.

Percebemos uma evolução no entendimento da Igreja sobre sua forma de celebrar tomando forma especificamente “naquilo que o Senhor deveras ‘instituiu’ naquela noite”. Portanto, “Eucaristia” é o nome por excelência do celebrar cristão, que faz não outra coisa senão “dar graças” ao Senhor por seus dons. Confirmando este entendimento lemos na Lineamenta do XI Sínodo dos Bispos, parágrafo 13:
“Da última Ceia, a Igreja passou à Eucaristia, nome que preferiu entre os restantes – Ceia do Senhor, Fração do pão, Santo Sacrifício e oblação, Assembléia eucarística, Santa Missa, Ceia mística, Santa e Divina Liturgia –, para indicar que ela é, sobretudo um dar graças (do grego eucharisteín).”

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[Fim da Parte 1 de 3. Continua...]

16. Sacramentos no Vaticano II

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Posted on : 20-05-2008 | By : Marcos Lemos (@hordones) | In : Citações, Comentários Teológicos, Documentos da Igreja, Eucaristia, Família

O Concílio Vaticano II fez um belo resumo dos sacrametos da Igreja no texto da Constituição Dogmática LUMEN GENTIUM – Sobre a Igreja.
Vale a pena citar aqui, então, o parágrafo 11 deste magnífico documento que, com palavras fortes e seguras nos dá a reta orientação do lugar sagrado dos sacramentos na vida de fé do cristão e da comunidade. Tais sacramentos são em vista da manifestação do Sacerdócio comum dos fieis.

“A índole sagrada e, orgânica da comunidade sacerdotal efectiva-se pelos sacramentos e pelas virtudes. Os fiéis, incorporados na Igreja pelo Baptismo, são destinados pelo carácter baptismal ao culto da religião cristã e, regenerados para filhos de Deus, devem confessar diante dos homens a fé que de Deus receberam por meio da Igreja. Pelo sacramento da Confirmação, são mais perfeitamente vinculados à Igreja, enriquecidos com uma força especial do Espírito Santo e deste modo ficam obrigados a difundir e defender a fé por palavras e obras como verdadeiras testemunhas de Cristo. Pela participação no sacrifício eucarístico de Cristo, fonte e centro de toda a vida cristã, oferecem a Deus a vítima divina e a si mesmos juntamente com ela; assim, quer pela oblação quer pela sagrada comunhão, não indiscriminadamente mas cada um a seu modo, todos tomam parte na acção litúrgica. Além disso, alimentados pelo corpo de Cristo na Eucaristia, manifestam visivelmente a unidade do Povo de Deus, que neste augustíssimo sacramento é perfeitamente significada e admiravelmente realizada.

Aqueles que se aproximam do sacramento da Penitência, obtêm da misericórdia de Deus o perdão da ofensa a Ele feita e ao mesmo tempo reconciliam-se com a Igreja, que tinham ferido com o seu pecado, a qual, pela caridade, exemplo e oração, trabalha pela sua conversão. Pela santa Unção dos enfermos e pela oração dos presbíteros, toda a Igreja encomenda os doentes ao Senhor padecente e glorificado para que os salve (cfr. Tg. 5, 14-16); mais ainda, exorta-os a que, associando-se livremente à Paixão e morte de Cristo (cfr. Rom. 8,17; Col. 1,24; 2 Tim. 11,12; 1 Ped. 4,13), concorram para o bem do Povo de Deus. Por sua vez, aqueles de entre os fiéis que são assinalados com a sagrada Ordem, ficam constituídos em nome de Cristo para apascentar a Igreja com a palavra e graça de Deus. Finalmente, os cônjuges cristãos, em virtude do sacramento do Matrimónio, com que significam e. participam o mistério da unidade do amor fecundo entre Cristo e a Igreja (cfr. Ef. 5,32), auxiliam-se mutuamente para a santidade, pela vida conjugal e pela procriação e educação dos filhos, e têm assim, no seu estado de vida e na sua ordem, um dom próprio no Povo de Deus (cfr. 1 Cor. 7,7). Desta união origina-se a família, na qual nascem novos cidadãos da sociedade humana os quais, para perpetuar o Povo de Deus através dos tempos, se tornam filhos de Deus pela graça do Espírito Santo, no Baptismo. Na família, como numa igreja doméstica, devem os pais, pela palavra e pelo exemplo, ser para os filhos os primeiros arautos da fé e favorecer a vocação própria de cada um, especialmente a vocação sagrada.
Munidos de tantos e tão grandes meios de salvação, todos os fiéis, seja qual for a sua condição ou estado, são chamados pelo Senhor à perfeição do Pai, cada um por seu caminho.”


Em vermelho, assim quero destacar o valor da vocação à família, da busca pela santidade no matrimônio. Poderíamos até dizer que os padres conciliares definiram como a Família sendo o oitavo sacramento.
E sublinhado temos uma breve descrição para o sacramento da Eucaristia.

15. Sacramentos – Vida de Fé!

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Posted on : 18-05-2008 | By : Marcos Lemos (@hordones) | In : Comentários Bíblicos, Comentários Teológicos, Eucaristia

Segue um pequeno comentário teológico sobre os sete Sacramentos na Igreja Católica Apostólica Romana e suas fundamentações bíblicas.
Está dividido em três grupos: 1) Sacramentos da Iniciação; 2) Sacramentos da Cura; 3) Sacramentos da Comunhão.

I) Sacramentos da Iniciação.

1. Do Batismo.

Se a Igreja teve o cuidado de determinar quais são e quantos são os sacramentos, também determinou uma ordem, podemos dizer, de importância para cada um deles em relação uns com os outros. Isso se deve ao fato de que todos eles estão intimamente ligados, não só por sua origem e usos na comunidade de fé, mas principalmente porque alguns imprimem caráter definitivo e determinam a identidade cristã.
Para o primeiro sacramento da vida de um cristão, é explícito no Batismo, que este defina claramente isso que chamamos de identidade. Com tal sacramento é dado à pessoa um nome que a coloca em comunhão com Jesus Cristo e a Igreja. Por isso mesmo é o primeiro passo de inserção na comunidade e é onde ouve-se a confissão de fé daquele que se dispõe à Igreja no caminho da salvação.
Este é o sacramento que abre as portas, não só para a aceitação entre os irmãos na comunidade, mas também, e principalmente, para o recebimento dos demais sacramentos que só podem ser administrados àqueles que pertencem ao grupo e crêem como este. Chamamos o Batismo de “fundamento da vida cristã” e ao qual os demais são ordenados. Sua origem é clara nas palavras de Jesus que manda batizar “em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo” e crer em seu nome (Mt 28,19-20); tem íntima ligação com o próprio ato de Jesus em deixar-se batizar por João Batista, como sinal do início de sua missão (Lc 3,21-22).
Para o Batismo há um rito litúrgico repleto de símbolos, mas a mudança se dá diretamente no indivíduo. Dos elementos do rito, o mais importante é a água. Desta tira-se a imagem de “mergulhar”, “imergir”. Daí temos que o Batismo é um sepultar-se na morte com Cristo, de onde recebemos a vida da promessa de ressurreição. Também é o sacramento da “vida nova” para entrarmos no Reino de Deus (Jo 3,5). Por este sacramento não só somos introduzidos na comunidade, mas também nos é dado o caráter de “filhos de Deus”.

2. Da Confirmação (Crisma).

Para os Sacramentos da iniciação, a Confirmação vem dar caráter definitivo ao Batismo. Não é um complemento, mas um ato de “consumação da graça”, onde os fieis são chamados a dar testemunho da Palavra e da fé que receberam – confessar publicamente a fé que receberam e assumiram como prórpia. Na Igreja Católica Romana tal sacramento é recebido na idade da maturidade, diante da assembléia, o que leva o indivíduo a assumir de forma concreta sua missão e fé. Por este sacramento são dados, pela imposição das mãos do Bispo (sucessor dos apóstolos) os dons do Espírito Santo que serão usados e confirmados pela comunidade.
Basicamente, então, temos como símbolos deste sacramento, a imposição das mãos e a unção com o óleo do crisma. Assim como o Batismo, é recebido uma única vez. Nele recebe o fiel a missão de testemunhar vivamente o Filho, revestido da força do Espírito Santo.
Tem sua imagem intimamente ligada ao dia de Pentecostes (Atos 2,1-4), onde a efusão do Espírito impelia os apóstolos ao testemunho público e corajoso, sinal de maturidade e obrigação com a defesa da fé. Compara-se ao gesto de confirmação pelo do batismo recebido também em Atos 8, 14-17.

3. Da Eucaristia.

Este é o Sacramento por excelência, para o qual todos apontam: “A Igreja vive da Eucaristia. Esta verdade não exprime apenas uma experiência diária de fé, mas contém em síntese o próprio núcleo do mistério da Igreja” (Ecclesia de Eucaristia, 1). É o sacramento que conclui a iniciação na fé. Por ele o fiel se conforma definitivamente a Cristo Jesus, pois é por tal que o recebemos plenamente.
Confessa-se a presença real do próprio Jesus Cristo em totalidade – corpo, alma e divindade – nos elementos do Pão e do Vinho, que são transformados em toda a sua substância. Não exclui as demais “presenças de Jesus”, mas as confirma pela promessa que fez de estar conosco “até o fim dos tempos” (Mt 28,20).
Os elementos indispensáveis para tal sacramento, portanto, são o pão de trigo e o vinho da uva fermentada. São apresentados e, pelas palavras da consagração – pronunciadas por um presbítero legitimamente ordenado e em comunhão com a Igreja – são transformados definitivamente no Senhor Jesus e dados como alimento para o corpo e para a alma do fiel.
Sua origem também está numa ordem de Jesus e nos seus gestos finais da ultima ceia. Ele mesmo tomando o pão e o vinho, pronunciou as palavras “Isto é o meu corpo” e “este é o cálice da nova aliança” e mandou que se repetisse tal gesto “até que venha” (Mc 14,22-25 e paralelos).

É chamado de “Comunhão” não só por unir-nos ao mistério de Cristo em sua Páscoa (morte e ressurreição), mas por garantir também a unidade de toda a Igreja, que é símbolo do Corpo de Cristo.
II) Sacramentos da Cura.

4. Da Penitência ou Reconciliação (Confissão).

Também conhecido popularmente por Confissão, o Sacramento da Reconciliação, implica na busca pelo perdão dos pecados cometidos depois da purificação recebida pelo sacramento do Batismo. Uma vez salvos definitivamente por Cristo Jesus por sua morte de cruz, os fieis são chamados a uma vida de santidade e fuga do pecado que nos afasta de Deus. Mesmo assim, a condição humana limitada encontra obstáculos que mancham a “imagem e semelhança” de filhos de Deus.
Consiste basicamente na verbalização, pelo reconhecimento íntimo e pessoal, de que pecamos e erramos segundo a moral cristã e do penitenciar-se segundo a culpa individual. Hoje este confessar é feito sob sigilo ao presbítero legitimamente ordenado e autorizado em receber tais confissões e a quem foi dado o poder de perdoar os pecados. Soma-se ao confessar as palavras de perdão e reconciliação com Deus e a Igreja, reintegrando o fiel à caminhada de busca da santidade.
Assim, como os demais sacramentos, sua ordem está nas palavras de Jesus aos seus apóstolos. Este dá a ordem, após sopra sobre eles o Espírito Santo de oferecerem o perdão a quantos o procurar (Jo 20,22-23). Pode ser recebido quantas vezes forem necessárias e é considerado de grande importância para garantir a vivência da fé conforme os ensinamentos de Jesus e como forma de retomar o caminho do seguimento do Senhor e da busca de conversão constante, cotidiana.
Não se restringe a uma busca exterior, mas a uma conformação de todo o ser com a proposta do Reino de Deus no chamamento de “sermos santos como o Pai do céu é Santo”. Também é um testemunho do perdão e do amor infinitos de Deus que “ama incondicionalmente” e tudo perdoa (perdoa e acolhe a todos – conforme a figura do Pai-misericordioso da parábola de Lc 15,11-32).

5. Da Unção dos Enfermos.

Explicitamente este é um sacramento de cura. Em toda a missão de Jesus, este passou curando e libertando todos os que passaram em seu caminho. Curando da doença que afligia o corpo e também a alma; libertando da morte, da corrupção, do medo e do pecado. Jesus viveu fazendo o bem. Por crermos que ainda está vivo entre nós, cremos também que continua a realizar sinais e milagres que garantem a saúde do corpo, da mente e da alma.
Tal sacramento não visa unicamente uma ação intervencionista de Deus diante de uma situação de doença (por exemplo), garantido um milagre certo. Reintegrar o indivíduo na comunidade e dar sentido ao sofrimento humano também são imagens deste, oferecendo conforto para a alma e alívio para o corpo, mesmo quando o milagre não acontece. Encontramos seu relato na carta apostólica de Tiago, onde lemos: “Sofre alguém dentre vós um contratempo? Recorra à oração. Está alguém alegre? Cante. Alguém dentre vós está doente? Mande chamar os presbíteros da Igreja para que orem sobre ele, ungindo-o com óleo em nome do Senhor.” (Tg 5,13-14). Pela imposição das mãos, oração e unção, oferece-se ao fiel a chance de conformar seus sofrimentos com os de Cristo na cruz, oferecendo suas dores, buscando a cura, para testemunhar a graça de Deus. Aqui, o mais importante é o reconforto.

III) Sacramentos da Comunhão (Serviços da Comunhão).

6. Do Matrimônio.

Aqui temos o testemunho pleno e imagem preferida para a Aliança de Deus com o seu povo. E, claro, neste sacramento está a busca do testemunho pleno do Amor recebido de Deus que é Pai. Tal amor deve ser vivido na radicalidade de Jesus Cristo que “amou-nos até o fim”, dando sua vida uma vez por todas.
Aos cônjuges é feito o convite de viverem conforme o amor pregado por Jesus Cristo, na radicalidade da doação plena e no serviço ao próximo. Mais do que isso, é pelo matrimônio que se vive a missão de constituir uma família, imagem da família que teremos um dia, definitivamente no Reino dos Céus.
Desde o AT, temos diversas imagens para a união conjugal de homem e mulher, desde a fórmula da criação em Gênesis que diz “homem e mulher ele os criou” e também “sede fecundos”. Mas sua principal ordem está nas palavras de Jesus que declara “o que Deus uniu, o homem não separe”, dando caráter definitivo a tal sacramento (cf. Mt 19,1-9). Fica como um sacramento que imprime caráter, por isso mesmo, só pode ser recebido uma única vez, mediante a livre vontade dos cônjuges. Este é um sacramento onde os ministros são o próprio casal e toda a assembléia torna-se testemunha desta união.

7. Da Ordem.

Por fim, temos o Sacramento da Ordem. Definitivamente este sacramento deve ser entendido em sua totalidade como um serviço exclusivo à comunidade de fieis. Donde o homem recebe a missão clara de agir como “o próprio Cristo”, em seu nome, confirmando os seus na fé e na Palavra, animando a Igreja Local e garantindo a fidelidade e ortodoxia da mesma.
Está dividido em três graus, a saber: diaconato, presbiterato e episcopado (nesta ordem). Cabe ao ministro ordenado santificar e confirmar na fé e na verdade de Jesus o grupo de fieis de sua Igreja. Este está conformado à figura de Jesus e sua missão de anunciar o Reino. Também este deve ministrar os sacramentos e administrar os bens da comunidade.
Nasce do sacerdócio comum dos fieis batizados que são “sacerdotes em Cristo” e está na origem do ministério dos apóstolos a quem coube governar a Igreja. Receberam esta missão da escolha de Jesus e do mandato de ir pelo mundo e evangelizar e participam intimamente do “único sacerdócio de Cristo”.

Imprime caráter definitivo e só pode ser conferido a homens e, na Igreja Católica Romana, apenas a homens solteiros (ou viúvos). Com exceção do diaconato que pode também ser recebido por homens casados – conforme disposição em cada diocese. Tal sujeito passa a agir em nome de toda a Igreja e para a Igreja. Os presbíteros e diáconos são os auxiliares do Bispo que possui a totalidade do dom de tal ministério. É transmitido pela imposição das mãos e pelas palavras de consagração.