[ Este comentário Bíblico servirá de referência segura para um estudo mais aprofundado do tema do Sacramento da Eucaristia. Dividido em duas partes. ]
João 6 – Parte 1
Segue um pequeno esquema para um estudo do capítulo 6 do evangelho de João para um aprofundamento bíblico no tema do Sacramento da Eucaristia como alimento do Corpo e Sangue de Cristo Jesus e a sua presença real.
Este capítulo está dividido em três partes distintas, claras e também plenamente interligadas.
A primeira parte é a Multiplicação dos Pães (vers. 1-15):
No versículo 5 Jesus pergunta: “Onde arranjaremos pão pra eles comerem?”
A resposta está em Jesus mesmo. Ele faz do pão o que quer. Pão para saciar completamente a fome e ainda sobra (Vers. 12-13). Melhor do que o Maná que só caia o suficiente, nem mais nem menos, não faltava, mas também não sobrava para ser juntado, estocado (Ex 16).
Repetindo: JESUS FAZ DO PÃO O QUE QUER.
A segunda parte (vers. 16-21), Jesus caminha sobre as águas.
Ele não só controla a natureza, mas controla seu corpo. Caminha e chega antes do barco (v. 21). Faz de seu corpo o que quer. Por isso pode se entrega à morte, pois pode dar-se livremente e recobrá-la pra si, ressuscitando!
Repetindo: JESUS FAZ DO SEU CORPO O QUE QUER.
Então temos a maior parte, a terceira, deste capítulo (vers. 22-71).
Aqui será nosso foco principal deste estudo.
27 – “Trabalhai, não pelo alimento que se perde, mas pelo alimento que permanece até a vida eterna, alimento que o filho do homem vos dará…”
A multidão pede um sinal maior que o Maná que foi dado no deserto durante os 40 anos rumo à Terra Prometida. Jesus responde:
32 – “É meu Pai que vos dá o verdadeiro pão do céu; porque o pão de Deus é aquele que desce do céu e dá vida ao mundo.”
Quem desceu do céu para dar vida ao mundo, senão Jesus? Ele se dá o nome de Pão do Céu.
35 – “Eu sou o Pão da Vida”. 38 – “Pois desci do céu”.
Jesus se identifica com o pão e como pão (alimento)!
E diz isso por três vezes seguidas: 48 – “Eu sou o pão da Vida”. 50 – “Este pão é o que desce do céu para que não morra quem dele comer”. 51 – “Eu sou o pão vivo descido do céu”.
Essa identificação com o Pão do Maná (de forma histórica e que se repete de forma celebrativa também na páscoa judaica e na festa dos pães ázimos) vai sendo aprofundada. Jesus quer mostrar que Ele tem um Pão pra dar que não só mata a fome, mas garante a vida eterna.
Jesus faz do Maná do Êxodo uma prefiguração de si mesmo. O Maná descido do Céu é Jesus ali, Verbo de Deus encarnado que desceu do Céu se fazendo homem (vindo de Deus-Pai, igual o pão que caía no deserto) e que quer saciar a fome dos homens.
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Chegamos aos vers. 50-51.
Temos grandes mudanças no discurso de Jesus a partir desse ponto. Vale prestar muita atenção aos detalhes deste texto. Aqui temos uma mudança de foco no discurso de Jesus. Antes falava figurativamente de si comparando ao Maná do deserto.
Agora entra uma provocação: “51b – E o pão que eu vou dar é a minha própria carne“.
A provocação está nesta palavra, “carne“. Esta aparece no texto aqui, pela primeira vez. Antes o Pão podia ser entendido como figura do Jesus encarnado, descido do Céu. Mas Jesus vai além: é preciso comer desse Pão que é a sua carne.
Assustados com tais palavras, seus ouvintes questionam (murmuravam como no deserto contra Moisés): 52b – “Como pode esse homem dar-nos a sua carne para comer?“
Então Jesus vai além, nada de meias palavras ou figuras de linguagem, fala de forma clara e direta:
“O PÃO QUE EU DAREI É A MINHA CARNE”
E não para: 53 – “Se não comerdes a carne do filho do Homem e não beberdes seu sangue, não tereis a vida em vós”. Vale a pena ler o 54 também.
Fica mais evidente que Jesus abandonou a linguagem simbólica quando lemos o versículo 55 – “Pois a minha carne É verdadeira comida e o meu sangue É verdadeira bebida.”
Se lermos os relatos da Ultima Ceia de Jesus com os discípulos agora, muita coisa fica mais clara na atitude dele em querer deixar esta forma celebrativa para a sua Igreja.
“Com todo o ato da ceia Jesus se entrega às mãos dos discípulos, e isso no sentido duplo de doar-se e entregar-se. O pão que Jesus distribui no início da ceia, a exemplo de todo chefe de família judeu, e o cálice que oferece são, por assim dizer, sinal no sinal, símbolos reais concentrados da auto-doação e da auto-entrega: ‘Tomai, isto é meu corpo (…) Isto é meu sangue’ (Mc 14, 22.24 e par.). ‘Corpo’ e ‘sangue’ não significam elementos, e, sim, todo o ser humano vivente, sendo que ‘corpo’ lembra especialmente o eu concreto, e ‘sangue’, sobretudo a vida, ‘o sangue derramado’, porém, a entrega da vida.” (SCHNEIDER, Theodor (org.). “Manual de Dogmática. Editora Vozes. P. 246.)
57 – “Aquele que de mim se alimenta viverá por mim.”
Aí Jesus percebe que muitos ficam espantados e os questiona:
61 – “ISTO VOS ESCANDALIZA? E quando virdes o filho do Homem subir aonde estava antes?…”
Ficou complicado seguir Jesus…
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[Continua... Parte 1 de 2 ]
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