34. Mt 10,26-33 – Podem matar o corpo.

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Posted on : 23-06-2008 | By : Marcos Lemos (@hordones) | In : Citações, Comentários Bíblicos

“Não tenhais medo dos homens…”
“Não tenhais medo daqueles que matam o corpo…”
“Não tenhais medo!”
[Mt 10,26.28.31]

No Evangelho desse domingo, 12o. Comum da Liturgia, Jesus repete por três vezes para não terem medo os seus discípulos. NÃO TENHAM MEDO!
Quem segue Jesus não pode ter medo.
- Primeiro ele diz de forma genérica para não temer os homens. Toda verdade é sempre revelada e a mentira é descoberta. Suas palavras devem ser proclamadas de cima dos telhados (vv.27).
- Depois ele repete o mesmo conselho, mas dessa vez direcionando: não temer quem persegue os que proclamam a verdade. Aqueles só podem matar o corpo, não matam a alma. Lembra bem o que temos em Mt 16,25:
“Quem quiser salvar a sua vida vai perdê-la;
e quem perder a sua vida por causa de mim, a encontrará.”
- E, pela terceira vez, fala para não ter medo. Mas agora Jesus é enfático e imperativo. Não podemos ter medo de nada.

Podemos dizer: Não ter medo é um imperativo ético para todo cristão.

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Não ter medo de nada!

Coragem é uma boa palavra de procurarmos na boca de Jesus, e seu uso nos evangelhos, veja:
- Mt 9,2 – “Jesus disse ao paralítico: «Coragem, filho! Teus pecados estão perdoados»”
- Mt 9,22 – “ao vê-la, disse: «Coragem, filha! Sua fé curou você.»”
- Mt 14,27 – “porém, logo lhes disse: «Coragem! Sou eu. Não tenham medo.»”
- Mc 6,50 – “Mas Jesus logo falou: «Coragem! Sou eu, não tenham medo!»”
- Mc 10,49 – chamaram o cego e disseram: «Coragem, levante-se, porque Jesus te chama!»”
- Jo 16,33 – “(…) terão aflições, mas tenham coragem; eu venci o mundo.”

E ter medo, para Jesus, é não ter coragem para assumí-lo como seu Senhor e Deus;
e declarar-se assim de cima dos telhados; TESTEMUNHAR sempre! (Mt 10, 32s)

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Defendendo a Vida!

Como exemplo de coragem, coloco aqui o link de uma resportagem que mostra a força e a luta de três bispos no Norte e Nordeste do Brasil. Um é o arcebispo dom Mauro Aparecido dos Santos, que defende os pobres sem-terra contra os latinfundiários donos de terras infindas. Outro é dom José Luiz Azcona que também faz as mesmas denúncias e enfatiza: “há uma sociedade doente, pobre e moribunda”. E ainda o bispo Flavio Giovenale, que denunciou a exploraçào sexual de menores.
Segue a reposrtagem toda: Bispos marcados para morrer.

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31. Mt 9,36-10,8 – Vocação universal.

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Posted on : 16-06-2008 | By : Marcos Lemos (@hordones) | In : Citações, Comentários Bíblicos, Documentos da Igreja, Família

[segue um pequeno comentário sobre o trecho do envagelho e alguma recomendação de leitura sobre vocação cristã.]

Os trabalhadores são poucos.

O evangelho lido no 11o. Domingo do Tempo Comum provoca-nos pensar sobre nossa vocação cristã no mundo de hoje. Jesus começa com uma constatação, dizendo que o lugar de “trabalho” do cristão, o mundo em que vivemos, é muito grande para tão poucos disposto à missão.
Provocativo!

Ele chama o mundo (ou as pessoas) de “messe”. O que é a messe?
Para o nosso mundo urbano essa é uma palavra completamente desconhecida, quase sem significado. A messe é a plantação, a seara pronta, em estado de se ceifar, para ser colhida. Neste mundo da técnica e da mecânica avançada, poderíamos pensar que para esta grande colheita de Deus, poderíamos usar as máquinas colheitadeiras computadorizadas, onde basta um único operador para arrancar com perfeição a planta do solo sem disperdícios.
Seria como as vastas plantações de trigo e máquinas cortando o relevo vegetal.

Mas, a messe de Deus é delicada. Precisa de cuidado e perfeição que só a mão humana pode conseguir. Por isso o convite de Jesus é dirigido aos homens e seu apelo é que “o Reino de Deus está próximo”.

O chamado a viver em santidade e testemunho cristão no mundo é difícil e a Igreja reconhece alguns obstáculos (citando CHRISTIFIDELES LAICI 2):

“O caminho dos fiéis leigos não tem estado isento de dificuldades e de perigos. Em especial podem recordar-se duas tentações, de que nem sempre souberam desviar-se: a tentação de mostrar um exclusivo interesse pelos serviços e tarefas eclesiais, por forma a chegarem frequentemente a uma prática abdicação das suas responsabilidades específicas no mundo profissional, social, económico, cultural e político; e a tentação de legitimar a indevida separação entre a fé e a vida, entre a aceitação do Evangelho e a acção concreta nas mais variadas realidades temporais e terrenas.”
Para tratar de vocação – o chamado de Deus para trabalharmos em sua messe – recomendo a leitura de alguns textos. são documentos da Igreja que nos indicam como ser cristãos e dar testemunho no mundo de hoje da fé que professamos.

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[clique nos títulos para abrir os textos na íntegra]

Do concílio Vaticano II:
- Constituição Domática LUMEN GENTIUM – sobre a Igreja.
- Constituição Dogmática GAUDIUM ET SPES – sobre a Igreja no mundo atual.

Outros:
- Exortação Apostólica CHRISTIFIDELES LAICI – vocação e missão dos Leigos na Igreja e no Mundo.
- Exortação Apostólica FAMILIARIS CONSORTIO – sobre a função da Família Cristã no mundo de hoje.
- Carta apostólica MULIERIS DIGNITATEM – sobre a vocação da Mulher.

- Exortação Apostólica PASTORES DABO VOBIS – sobre a formação sacerdotal.

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26. Maria: Mãe de Deus! (Teotokos ou Cristotokos?)

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Posted on : 06-06-2008 | By : Marcos Lemos (@hordones) | In : Citações, Comentários Bíblicos, Comentários Teológicos, Maria (Nossa Senhora)

Chamamos Maria de “Mãe de Deus”. Mas, o que entendemos disso?
Para ilustrar essa teologia tão complicada, cito abaixo o comentário do Catecismo da Igreja Católica. Esse é um livro de capa amarela, que pode ser encontrado em toda boa livraria católica e também deveria constar do material de leitura de todo Católico. Nele pode-se ler uma síntese dos principais consteúdos da nossa Doutrina da Fé e aprender mais sobre o que cremos e professamos como nossa fé cristã.

Sobre o tema da maternidade divina de Maria, vale salientar que este é um conteúdo Cristológico, ou seja, diz respeito à pessoa de Jesus, quer tratar sobre quem é Jesus para nós. Assim, a Igreja quis definir, ao chamar Maria de “Mãe de Deus” (Teotokos), que o ente nascido de seu ventre é Deus em sua totalidade – o verbo de Deus humanado, feito homem, conforme Jo 1,1.14a e Lc 1,26-38 (a saber):

Jo 1,1.14a = “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus e o Verbo era Deus. (…) E o Verbo se fez carne e habitou entre nós.”
Lc 1,28.30-32 = “Disse o anjo: ‘Ave, cheia de Graça, o Senhor é contigo (…). Maria, tu encontraste graça diante de Deus. Eis que conceberás e darás à luz um filho, e lhe darás o nome de Jesus. Ele será grande e será chamado ‘Filho do Altíssimo’.'”

Concorda-se que, dizer de Maria apenas Cristotokos (Mãe do Cristo), ficaria vago, levando alguns a crer que Jesus não é “Deus de Deus (…) Deus verdadeiro de Deus verdadeiro”. Pode-se comenter o engano de algumas heresias e crer que Jesus foi um homem qualquer, apenas inspirado por Deus ou adotado por Deus; ou erroneamente que era Deus, mas apenas com aparência humana.

Chamar Maria de Teotokos (Mãe de Deus) é garantir a totalidade de nossa fé em Jesus sendo homem por inteiro e Deus por inteiro, sem se dividir ou diminuir em sua glória eterna.

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Então, citando um pequeno trecho do Catecismo da Igreja Católica, parágrafo 466:

“A heresia nestoriana via em Cristo uma pessoa humana unida à pessoa divina do Filho de Deus. Diante dela, S. Cirilo de Alexandria e o III Concílio Ecumênico, reunidio em Éfeso em 431, confessaram que ‘O Verbo, unindo a si em sua pessoa uma carne animada por uma alma racional, se tornou homem’ (DS 250). A humanidade de Cristo não tem outro sujeito senão a pessoa divina do Filho de Deus, que a assumiu e a fez sua desde sua concepção. Por isso o Concílio de Éfeso proclamou em 431, que Maria se tornou verdadeiramente Mãe de Deus pela concepção humana do Filho de Deus em seu seio:
Mãe de Deus não porque o Verbo de Deus tirou dela sua natureza divina, mas porque é dela que ele tem o corpo sagrado dotado de uma alma racional, unido ao qual, na sua pessoa, se diz que o Verbo nasceu segundo a carne (DS 251)’.”

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Aqui está uma boa explicação de porque chamar Maria de Mãe de Deus (Teotokos)!

25. Maria: Cheia de Graça!

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Posted on : 04-06-2008 | By : Marcos Lemos (@hordones) | In : Citações, Comentários Bíblicos, Maria (Nossa Senhora)

[segue citações da Bíblia do Peregrino - ótima fonte de estudo para quem quer aprofundar melhor na leitura da Palavra de Deus]

Prolongando um pouco o mês de maio, vou disponibilizar mais duas citaçãos sobre o tema mariológico. Esse primeiro é um comentário bíblico do início do Evangleho de São Lucas.

Acompanhe os comentários com a leitura dos trechos indicados. A outra citação colocarei depois como outro artigo.

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Lc 1,28-29 = A saudação corrente grega (chaire) soa com os harmônicos de uma rica tradição bíblica, em contextos de renovação ou restauração (p.ex. Jz 2,21; Sf 3,16; Is 49,13; 65,18). ‘Favorecida’ é uma daqueles particípios passivos, quase títulos, que conhecemos pela literatura profética (Compadecida, Os 2,3; Preferida, Is 62,4). [Mas nestes exemplos] Atribui-se a figura emblemática, não a uma pessoa em particular [como aqui em Lucas].’O Senhor está contigo’; ‘Deus conosco’ (‘immanu’el) é o nome do anunciado em Is 7,14-15 e é expressão própria de momentos importantes (Ex 3,12; Jz 6,12; Jr 1,19. A concentração dos três elementos é suficiente para surpreender e perturbar Maria).

(…) [Lc 1,34] – Podemos afirmar(…) que Maria se pusera à inteira disposição de Deus, incluída sua capacidade maternal, que é benção genesíaca.

(…) [Lc 1,35-37]Maria coberta pelo Espírito e cheia da glória de Deus. Nascendo de mulher, nasce homem.

(…) [Lc 1,38]Maria não usa um verbo ativo na primeira pessoa, “cumprirei (Ex 19,8), mas um intransitivo “aconteça”: o que disse o anjo, ou seja, a ação divina e sua consequência (como um novo Gênesis). Deixar Deus agir é a suprema humildade e grandeza de Maria (1,49). A Tradição entendeu o consentimento de Maria como pronunciado em nome da humanidade.”

“(…) [Lc 1,40-41] – A saudação de Maria é intermedia o gozo e a inspiração celeste. A criatura expressa seu gozo inconsiente (de sinal contrário os gêmios de Gn 25,22). Isabel fala profetizando. Alguém quis ver Maria como a arca a aliança, com base em 2Sm 6.

(…) [Lc 1,42]Nenhuma maternidade da história pode ser comparada com a de Maria; a ela estavam direcionadas muitas maternidades precedentes.

(…) [Lc 1,46-55]Maria dirige o louvor para Deus, que fez tudo, ao passo que ela deixou fazer. (…) A ela felicitarão (Gn 30,13; Ct 6,9) todos que reconhecerem esses valores. Ela e’ a serva que representa Israel (e tb a Igreja da bem-aventuranças).”

[ Bíblia do Peregrino ]

22. Eucaristia e suas fontes Bíblicas – Evangelho de João (2/2)

2

Posted on : 29-05-2008 | By : Marcos Lemos (@hordones) | In : Citações, Comentários Bíblicos, Eucaristia

[ Continuação do comentário bíblico para estudo e reflexão do Sacramento da Eucaristia ]

João 6 – Parte 2

Muitas vezes Jesus falava em figuras. Falava sim.Mas existem outros momentos que Jesus falou concretamente. Como saber o que é figura ou o que é concreto? Cabe aqui uma chave de leitura interessante e simples.

Veja: Todas as vezes que Jesus falou em linguagem figurativa, contou antes uma parábola ou uma pequena história. Veja seus exemplos:
- Eu sou a porta: Jo 10,1-10 = Há aí uma parábola onde Jesus se compara à porta que protege as ovelhas e garante o caminho correto.
- Eu sou o Caminho: Jo 14,1-14 = Não há parábolas ou história. Aqui Jesus é categórico. Ele é o caminho, pois não há outra maneira de se chegar ao Pai. Aqui devemos entender literalmente.
- Quem não nascer da água e do Espírito: Jo 3 = Mais uma vez não há parábolas nem história. E fala assim no vers. 7: “Não se espante se eu digo que é preciso vocês nascerem do alto”. Este trecho é a prefiguração do Sacramento do Batismo que nos devolve a condição de filhos de Deus.

Quando Jesus fala concretamente, causa espanto. Foi o mesmo em Jo 6,61: “Isso escandaliza vocês?”. Sabemos que é preciso nascer de novo. O batismo é quando passamos pela água, e o fogo é o Espírito Santo que nos torna espirituais.

Em Jo 6, Jesus não fala em parábolas. Está falando concretamente, não usa figuras de linguagem. E, exatamente pra evitar erros na interpretação de suas palavras, ele é bem firme e expressivo, enfático.

“O PÃO QUE EU DAREI É A MINHA CARNE”
“Pois a minha carne é verdadeira comida e o meu sangue é verdadeira bebida.”

A Estrutura narrativa
Proximidade com o Evangelho de Marcos:

__ JOÃO ______ __ MARCOS _____
- 6, 1-15 ………………. 6, 30-44 —> Multiplicação 5.000 Pessoas
- 6, 16-24 …………….. 6, 45-54 —> Caminhada sobre as águas
______________________________________________
- 6, 25-34 …………….. 8, 11-13 —> Pedido de um sinal
- 6, 35-58 …………….. 8, 14-21 —> Discurso sobre o Pão
- 6, 59-69 …………….. 8, 27-30 —> Fé de Pedro
- 6, 70-71 …………….. 8, 31-33 —> Tema da Paixão e da negação

Indicações Celebrativo-Eucarísticas na Multiplicação

Jo 6, 11 (v. 23): Dar graças / DistribuirOrdenação da Cena:
1) Tomou o Pão (ofertório);
2) Deu graças (consagração);
3) Partiu (cordeiro);
4) Deu aos seus (comunhão).

Somente no Evangelho de João:
a) Jesus Distribui ele mesmo os pães;
b) Jesus manda recolher para que nada se perdesse.

v. 12 –> klasma = pedaços
(termo usado na Didaqué para indicar a hóstia Eucarística [Did. 9, 3-4])

Divisão do Discurso:
1) Cristológico-sapiencial (v. 35-50);
2) Eucarístico-sacramental (51-58).

(1) Discurso Sapiencial:
O povo faz 3 perguntas a Jesus. Só acertam na terceira:
I) v. 25 = [fim da seção narrativa] perguntam “Quando?”, mas deveriam ter perguntado “Como?”;
II) v. 28 = [início do debate] “Que Faremos?”, mas deveriam perguntar “Como conseguir esse alimento?”;
III) v. 34 = Agora sim fazem a pergunta certa: “Como conseguir…?”

(2) Discurso Sacramental:
Só fala de “Comer” a partir do v. 50.
Entre o v. 35-50 usa-se expressões como: “quem vem a mim…”, “quem crê…”, “quem vê…” (v. 35.36.40.47 / 35.37.44.45) – Estas são sinônimos de “receber”, “aceitar Jesus”.

“Dar a carne”, “Comer”, “o alimento”, “Beber”…

Indicações Eucarísticas:
a) “Comer a carne e beber o sangue de Jesus” – que não pode ser comparado com “receber, crer, aceitar Jesus”. Há uma mudança no uso das palavras e na forma do discurso.
b) v. 51 “O pão que eu darei é minha carne para a vida do mundo”

Por fim:
v. 58 = Jesus é superior a Moisés, mais ainda, superior ao Maná do deserto.

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[ final da parte 2 de 2 ]

21. Eucaristia e suas fontes Bíblicas – Evangelho de João (1/2)

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Posted on : 27-05-2008 | By : Marcos Lemos (@hordones) | In : Citações, Comentários Bíblicos, Eucaristia

[ Este comentário Bíblico servirá de referência segura para um estudo mais aprofundado do tema do Sacramento da Eucaristia. Dividido em duas partes. ]

João 6 – Parte 1

Segue um pequeno esquema para um estudo do capítulo 6 do evangelho de João para um aprofundamento bíblico no tema do Sacramento da Eucaristia como alimento do Corpo e Sangue de Cristo Jesus e a sua presença real.

Este capítulo está dividido em três partes distintas, claras e também plenamente interligadas.

A primeira parte é a Multiplicação dos Pães (vers. 1-15):
No versículo 5 Jesus pergunta: “Onde arranjaremos pão pra eles comerem?”
A resposta está em Jesus mesmo. Ele faz do pão o que quer. Pão para saciar completamente a fome e ainda sobra (Vers. 12-13). Melhor do que o Maná que só caia o suficiente, nem mais nem menos, não faltava, mas também não sobrava para ser juntado, estocado (Ex 16).

Repetindo: JESUS FAZ DO PÃO O QUE QUER.

A segunda parte (vers. 16-21), Jesus caminha sobre as águas.
Ele não só controla a natureza, mas controla seu corpo. Caminha e chega antes do barco (v. 21). Faz de seu corpo o que quer. Por isso pode se entrega à morte, pois pode dar-se livremente e recobrá-la pra si, ressuscitando!

Repetindo: JESUS FAZ DO SEU CORPO O QUE QUER.

Então temos a maior parte, a terceira, deste capítulo (vers. 22-71).
Aqui será nosso foco principal deste estudo.

27 – “Trabalhai, não pelo alimento que se perde, mas pelo alimento que permanece até a vida eterna, alimento que o filho do homem vos dará…”
A multidão pede um sinal maior que o Maná que foi dado no deserto durante os 40 anos rumo à Terra Prometida. Jesus responde:
32 – “É meu Pai que vos dá o verdadeiro pão do céu; porque o pão de Deus é aquele que desce do céu e dá vida ao mundo.”
Quem desceu do céu para dar vida ao mundo, senão Jesus? Ele se dá o nome de Pão do Céu.
35 – “Eu sou o Pão da Vida”. 38 – “Pois desci do céu”.

Jesus se identifica com o pão e como pão (alimento)!
E diz isso por três vezes seguidas: 48 – “Eu sou o pão da Vida”. 50 – “Este pão é o que desce do céu para que não morra quem dele comer”. 51 – “Eu sou o pão vivo descido do céu”.

Essa identificação com o Pão do Maná (de forma histórica e que se repete de forma celebrativa também na páscoa judaica e na festa dos pães ázimos) vai sendo aprofundada. Jesus quer mostrar que Ele tem um Pão pra dar que não só mata a fome, mas garante a vida eterna.
Jesus faz do Maná do Êxodo uma prefiguração de si mesmo. O Maná descido do Céu é Jesus ali, Verbo de Deus encarnado que desceu do Céu se fazendo homem (vindo de Deus-Pai, igual o pão que caía no deserto) e que quer saciar a fome dos homens.

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Chegamos aos vers. 50-51.
Temos grandes mudanças no discurso de Jesus a partir desse ponto. Vale prestar muita atenção aos detalhes deste texto. Aqui temos uma mudança de foco no discurso de Jesus. Antes falava figurativamente de si comparando ao Maná do deserto.
Agora entra uma provocação: “51b – E o pão que eu vou dar é a minha própria carne.
A provocação está nesta palavra, “carne“. Esta aparece no texto aqui, pela primeira vez. Antes o Pão podia ser entendido como figura do Jesus encarnado, descido do Céu. Mas Jesus vai além: é preciso comer desse Pão que é a sua carne.

Assustados com tais palavras, seus ouvintes questionam (murmuravam como no deserto contra Moisés): 52b – “Como pode esse homem dar-nos a sua carne para comer?
Então Jesus vai além, nada de meias palavras ou figuras de linguagem, fala de forma clara e direta:
“O PÃO QUE EU DAREI É A MINHA CARNE”
E não para: 53 – “Se não comerdes a carne do filho do Homem e não beberdes seu sangue, não tereis a vida em vós”. Vale a pena ler o 54 também.

Fica mais evidente que Jesus abandonou a linguagem simbólica quando lemos o versículo 55 – “Pois a minha carne É verdadeira comida e o meu sangue É verdadeira bebida.”

Se lermos os relatos da Ultima Ceia de Jesus com os discípulos agora, muita coisa fica mais clara na atitude dele em querer deixar esta forma celebrativa para a sua Igreja.

“Com todo o ato da ceia Jesus se entrega às mãos dos discípulos, e isso no sentido duplo de doar-se e entregar-se. O pão que Jesus distribui no início da ceia, a exemplo de todo chefe de família judeu, e o cálice que oferece são, por assim dizer, sinal no sinal, símbolos reais concentrados da auto-doação e da auto-entrega: ‘Tomai, isto é meu corpo (…) Isto é meu sangue’ (Mc 14, 22.24 e par.). ‘Corpo’ e ‘sangue’ não significam elementos, e, sim, todo o ser humano vivente, sendo que ‘corpo’ lembra especialmente o eu concreto, e ‘sangue’, sobretudo a vida, ‘o sangue derramado’, porém, a entrega da vida.” (SCHNEIDER, Theodor (org.). “Manual de Dogmática. Editora Vozes. P. 246.)

57 – “Aquele que de mim se alimenta viverá por mim.”

Aí Jesus percebe que muitos ficam espantados e os questiona:
61 – “ISTO VOS ESCANDALIZA? E quando virdes o filho do Homem subir aonde estava antes?…”
Ficou complicado seguir Jesus…

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[Continua... Parte 1 de 2 ]

15. Sacramentos – Vida de Fé!

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Posted on : 18-05-2008 | By : Marcos Lemos (@hordones) | In : Comentários Bíblicos, Comentários Teológicos, Eucaristia

Segue um pequeno comentário teológico sobre os sete Sacramentos na Igreja Católica Apostólica Romana e suas fundamentações bíblicas.
Está dividido em três grupos: 1) Sacramentos da Iniciação; 2) Sacramentos da Cura; 3) Sacramentos da Comunhão.

I) Sacramentos da Iniciação.

1. Do Batismo.

Se a Igreja teve o cuidado de determinar quais são e quantos são os sacramentos, também determinou uma ordem, podemos dizer, de importância para cada um deles em relação uns com os outros. Isso se deve ao fato de que todos eles estão intimamente ligados, não só por sua origem e usos na comunidade de fé, mas principalmente porque alguns imprimem caráter definitivo e determinam a identidade cristã.
Para o primeiro sacramento da vida de um cristão, é explícito no Batismo, que este defina claramente isso que chamamos de identidade. Com tal sacramento é dado à pessoa um nome que a coloca em comunhão com Jesus Cristo e a Igreja. Por isso mesmo é o primeiro passo de inserção na comunidade e é onde ouve-se a confissão de fé daquele que se dispõe à Igreja no caminho da salvação.
Este é o sacramento que abre as portas, não só para a aceitação entre os irmãos na comunidade, mas também, e principalmente, para o recebimento dos demais sacramentos que só podem ser administrados àqueles que pertencem ao grupo e crêem como este. Chamamos o Batismo de “fundamento da vida cristã” e ao qual os demais são ordenados. Sua origem é clara nas palavras de Jesus que manda batizar “em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo” e crer em seu nome (Mt 28,19-20); tem íntima ligação com o próprio ato de Jesus em deixar-se batizar por João Batista, como sinal do início de sua missão (Lc 3,21-22).
Para o Batismo há um rito litúrgico repleto de símbolos, mas a mudança se dá diretamente no indivíduo. Dos elementos do rito, o mais importante é a água. Desta tira-se a imagem de “mergulhar”, “imergir”. Daí temos que o Batismo é um sepultar-se na morte com Cristo, de onde recebemos a vida da promessa de ressurreição. Também é o sacramento da “vida nova” para entrarmos no Reino de Deus (Jo 3,5). Por este sacramento não só somos introduzidos na comunidade, mas também nos é dado o caráter de “filhos de Deus”.

2. Da Confirmação (Crisma).

Para os Sacramentos da iniciação, a Confirmação vem dar caráter definitivo ao Batismo. Não é um complemento, mas um ato de “consumação da graça”, onde os fieis são chamados a dar testemunho da Palavra e da fé que receberam – confessar publicamente a fé que receberam e assumiram como prórpia. Na Igreja Católica Romana tal sacramento é recebido na idade da maturidade, diante da assembléia, o que leva o indivíduo a assumir de forma concreta sua missão e fé. Por este sacramento são dados, pela imposição das mãos do Bispo (sucessor dos apóstolos) os dons do Espírito Santo que serão usados e confirmados pela comunidade.
Basicamente, então, temos como símbolos deste sacramento, a imposição das mãos e a unção com o óleo do crisma. Assim como o Batismo, é recebido uma única vez. Nele recebe o fiel a missão de testemunhar vivamente o Filho, revestido da força do Espírito Santo.
Tem sua imagem intimamente ligada ao dia de Pentecostes (Atos 2,1-4), onde a efusão do Espírito impelia os apóstolos ao testemunho público e corajoso, sinal de maturidade e obrigação com a defesa da fé. Compara-se ao gesto de confirmação pelo do batismo recebido também em Atos 8, 14-17.

3. Da Eucaristia.

Este é o Sacramento por excelência, para o qual todos apontam: “A Igreja vive da Eucaristia. Esta verdade não exprime apenas uma experiência diária de fé, mas contém em síntese o próprio núcleo do mistério da Igreja” (Ecclesia de Eucaristia, 1). É o sacramento que conclui a iniciação na fé. Por ele o fiel se conforma definitivamente a Cristo Jesus, pois é por tal que o recebemos plenamente.
Confessa-se a presença real do próprio Jesus Cristo em totalidade – corpo, alma e divindade – nos elementos do Pão e do Vinho, que são transformados em toda a sua substância. Não exclui as demais “presenças de Jesus”, mas as confirma pela promessa que fez de estar conosco “até o fim dos tempos” (Mt 28,20).
Os elementos indispensáveis para tal sacramento, portanto, são o pão de trigo e o vinho da uva fermentada. São apresentados e, pelas palavras da consagração – pronunciadas por um presbítero legitimamente ordenado e em comunhão com a Igreja – são transformados definitivamente no Senhor Jesus e dados como alimento para o corpo e para a alma do fiel.
Sua origem também está numa ordem de Jesus e nos seus gestos finais da ultima ceia. Ele mesmo tomando o pão e o vinho, pronunciou as palavras “Isto é o meu corpo” e “este é o cálice da nova aliança” e mandou que se repetisse tal gesto “até que venha” (Mc 14,22-25 e paralelos).

É chamado de “Comunhão” não só por unir-nos ao mistério de Cristo em sua Páscoa (morte e ressurreição), mas por garantir também a unidade de toda a Igreja, que é símbolo do Corpo de Cristo.
II) Sacramentos da Cura.

4. Da Penitência ou Reconciliação (Confissão).

Também conhecido popularmente por Confissão, o Sacramento da Reconciliação, implica na busca pelo perdão dos pecados cometidos depois da purificação recebida pelo sacramento do Batismo. Uma vez salvos definitivamente por Cristo Jesus por sua morte de cruz, os fieis são chamados a uma vida de santidade e fuga do pecado que nos afasta de Deus. Mesmo assim, a condição humana limitada encontra obstáculos que mancham a “imagem e semelhança” de filhos de Deus.
Consiste basicamente na verbalização, pelo reconhecimento íntimo e pessoal, de que pecamos e erramos segundo a moral cristã e do penitenciar-se segundo a culpa individual. Hoje este confessar é feito sob sigilo ao presbítero legitimamente ordenado e autorizado em receber tais confissões e a quem foi dado o poder de perdoar os pecados. Soma-se ao confessar as palavras de perdão e reconciliação com Deus e a Igreja, reintegrando o fiel à caminhada de busca da santidade.
Assim, como os demais sacramentos, sua ordem está nas palavras de Jesus aos seus apóstolos. Este dá a ordem, após sopra sobre eles o Espírito Santo de oferecerem o perdão a quantos o procurar (Jo 20,22-23). Pode ser recebido quantas vezes forem necessárias e é considerado de grande importância para garantir a vivência da fé conforme os ensinamentos de Jesus e como forma de retomar o caminho do seguimento do Senhor e da busca de conversão constante, cotidiana.
Não se restringe a uma busca exterior, mas a uma conformação de todo o ser com a proposta do Reino de Deus no chamamento de “sermos santos como o Pai do céu é Santo”. Também é um testemunho do perdão e do amor infinitos de Deus que “ama incondicionalmente” e tudo perdoa (perdoa e acolhe a todos – conforme a figura do Pai-misericordioso da parábola de Lc 15,11-32).

5. Da Unção dos Enfermos.

Explicitamente este é um sacramento de cura. Em toda a missão de Jesus, este passou curando e libertando todos os que passaram em seu caminho. Curando da doença que afligia o corpo e também a alma; libertando da morte, da corrupção, do medo e do pecado. Jesus viveu fazendo o bem. Por crermos que ainda está vivo entre nós, cremos também que continua a realizar sinais e milagres que garantem a saúde do corpo, da mente e da alma.
Tal sacramento não visa unicamente uma ação intervencionista de Deus diante de uma situação de doença (por exemplo), garantido um milagre certo. Reintegrar o indivíduo na comunidade e dar sentido ao sofrimento humano também são imagens deste, oferecendo conforto para a alma e alívio para o corpo, mesmo quando o milagre não acontece. Encontramos seu relato na carta apostólica de Tiago, onde lemos: “Sofre alguém dentre vós um contratempo? Recorra à oração. Está alguém alegre? Cante. Alguém dentre vós está doente? Mande chamar os presbíteros da Igreja para que orem sobre ele, ungindo-o com óleo em nome do Senhor.” (Tg 5,13-14). Pela imposição das mãos, oração e unção, oferece-se ao fiel a chance de conformar seus sofrimentos com os de Cristo na cruz, oferecendo suas dores, buscando a cura, para testemunhar a graça de Deus. Aqui, o mais importante é o reconforto.

III) Sacramentos da Comunhão (Serviços da Comunhão).

6. Do Matrimônio.

Aqui temos o testemunho pleno e imagem preferida para a Aliança de Deus com o seu povo. E, claro, neste sacramento está a busca do testemunho pleno do Amor recebido de Deus que é Pai. Tal amor deve ser vivido na radicalidade de Jesus Cristo que “amou-nos até o fim”, dando sua vida uma vez por todas.
Aos cônjuges é feito o convite de viverem conforme o amor pregado por Jesus Cristo, na radicalidade da doação plena e no serviço ao próximo. Mais do que isso, é pelo matrimônio que se vive a missão de constituir uma família, imagem da família que teremos um dia, definitivamente no Reino dos Céus.
Desde o AT, temos diversas imagens para a união conjugal de homem e mulher, desde a fórmula da criação em Gênesis que diz “homem e mulher ele os criou” e também “sede fecundos”. Mas sua principal ordem está nas palavras de Jesus que declara “o que Deus uniu, o homem não separe”, dando caráter definitivo a tal sacramento (cf. Mt 19,1-9). Fica como um sacramento que imprime caráter, por isso mesmo, só pode ser recebido uma única vez, mediante a livre vontade dos cônjuges. Este é um sacramento onde os ministros são o próprio casal e toda a assembléia torna-se testemunha desta união.

7. Da Ordem.

Por fim, temos o Sacramento da Ordem. Definitivamente este sacramento deve ser entendido em sua totalidade como um serviço exclusivo à comunidade de fieis. Donde o homem recebe a missão clara de agir como “o próprio Cristo”, em seu nome, confirmando os seus na fé e na Palavra, animando a Igreja Local e garantindo a fidelidade e ortodoxia da mesma.
Está dividido em três graus, a saber: diaconato, presbiterato e episcopado (nesta ordem). Cabe ao ministro ordenado santificar e confirmar na fé e na verdade de Jesus o grupo de fieis de sua Igreja. Este está conformado à figura de Jesus e sua missão de anunciar o Reino. Também este deve ministrar os sacramentos e administrar os bens da comunidade.
Nasce do sacerdócio comum dos fieis batizados que são “sacerdotes em Cristo” e está na origem do ministério dos apóstolos a quem coube governar a Igreja. Receberam esta missão da escolha de Jesus e do mandato de ir pelo mundo e evangelizar e participam intimamente do “único sacerdócio de Cristo”.

Imprime caráter definitivo e só pode ser conferido a homens e, na Igreja Católica Romana, apenas a homens solteiros (ou viúvos). Com exceção do diaconato que pode também ser recebido por homens casados – conforme disposição em cada diocese. Tal sujeito passa a agir em nome de toda a Igreja e para a Igreja. Os presbíteros e diáconos são os auxiliares do Bispo que possui a totalidade do dom de tal ministério. É transmitido pela imposição das mãos e pelas palavras de consagração.