Para aqueles que estão acostumados com uma forma narrativa menos direta, por conta do uso constante das redes sociais, por que não pregar o Evangelho via Twitter ou semelhante? Encontrei esse vídeo que, de forma bem inteligente, nos apresenta toda a história da Semana Santa de Jesus contada a partir dos 140 caracteres do Twitter.
Não importa o grupo religioso em que você se encontra, nem qual Igreja ou Comunidade de Fé cristã que você participa; também não importa quem sejam os líderes ou se são “santos” e milagreiros – sempre ficará a dívida de alguns se uma obra “é de Deus” ou é apenas vontade humana disfarçada de bondade e coberta de boas intenções. Algumas vezes se usa até o nome de Deus e orações ou caridade para se burlar a lei, mentir e enganar. Então, como ter o discernimento correto sobre essas coisas?
Eu estive pensando nisso enquanto lia a bíblia em algumas passagens específicas e percebendo que podem ser usadas para saber se algo vem de Deus. A Palavra de Deus serve para orientar nossa vida em muitas coisas e pode nos ensinar a viver bem em comunidade e perceber se as coisas de Deus estão no caminho certo e não estamos sendo enganados por falsos líderes oportunistas ou por pessoas que só nos farão perder tempo ou fazer mal uso de nossa boa fé.
E, para ter esse discernimento sobre qualquer coisa que seja, na sua Igreja ou no seu grupo, não é nem preciso ser um especialista em bíblia, basta entender bem do que tratam esses dois trechos que vamos citar logo abaixo.
1. Cuidado com o fruto podre – Lc 3,9 / Mt 12,33
Vamos começar citando os textos e você verá como fica claro entender o que estou querendo propor aqui:
“O machado já está posto à raiz das árvores; e toda árvore que não produzir bom fruto será cortada e lançada ao fogo.” [Lc 3,9]
“Plante uma árvore boa e ela dará fruto bom; plante uma árvore prejudicada e ela dará frutos prejudicados. Pois, pelo fruto conhecemos a árvore.” [Mt 12,33]
Isso já é até ditado popular “fruto podre estraga todo o cesto”. Mas aqui a Palavra de Deus vai mais longe e não olha apenas para a fruta que está perdida. Quando o fruto não presta, então toda a árvore já estava perdida antes. Uma árvore boa pode dar frutos ruins? Impossível.
Mas é possível que o fruto se perca sozinho em duas situações:
- a) se não for consumido a tempo = então aquele fruto não serviu o seu propósito. Ficou guardado e apodreceu, não matando a fome de ninguém, pois era para isso que servia. Se o fruto é colhido da árvore boa, mas não dá o resultado esperado, então de nada valeu a árvore produzir bons frutos.
Assim é também com a Obra de Deus. De que vale um grupo de pessoas que rezem e cante, busquem a Deus e vivam seu caminho de forma reta e irrepreensível, mas que seus frutos não podem ser vistos nem consumidos por mais pessoas. Se este grupo não produzir resultados satisfatórios será como o empregado que recebeu um talento e o enterrou, não fazendo que produzisse mais para seu senhor (Mt 25,14-30).
- b) ou se se desprender da árvore e cair no chão = nesse segundo caso é como se o fruto fosse esquecido ou até desprezado. As pessoas olham para a árvore, vêem seus frutos, mas ninguém quer colher, nem se sente motivado em se aproximar para usufruir daquele alimento. Assim aquela árvore pode ser bela e frondosa, mas está no limbo. A Obra de Deus é para ser vista e atrair as pessoas para o seu Amor e para a Salvação de Jesus.
Se todos passam, mas desprezam aquela obra e nem se interessam por seus frutos, aquela obra é morta, terá o machado como solução e o fogo como castigo.
2. Renovar-se sempre – Mt 9,17
Agora vejamos esse outro trecho e como ele pode nos ajudar a discernir a Obra de Deus e as pessoas que trabalham nela.
“Não se põe vinho novo em odres velhos, senão os odres arrebentariam, o vinho se derramaria e os odres se estragariam. Vinho novo em odres novos, e ambos se conservam.” [Mt 9,17]
Veja como são as últimas palavras: “ambos se conservam”. A Palavra de Deus é sempre nova e busca pessoas novas, renovadas em seu amor, em seu Espírito. Se queremos que as coisas de Deus sejam sempre bem conservadas, então devemos dar espaço à renovação constante e aceitar que não sabemos tudo e que as coisas também mudam.
É natural do ser humano acomodar-se e se conformar com situações que parecem boas e favoráveis. Bem como é comum nos deixarmos levar pelo caminho mais fácil e sem desafios novos e até nos prendemos às nossas velhas rotinas acreditando que sabemos qual a melhor maneira de fazer tudo e que somos os únicos que sabem fazer aquele serviço direito.
Essa tendência a aceitar a situação mais cômoda não é da Obra de Deus. As coisas de Deus estão em constante renovação e se faz para pessoas que não se acomodam nem se conformam. O Espírito Santo é dinâmico e está sempre nos desalojando de nossas fraquezas e não nos deixa ficarmos presos às nossas limitações. Se algo está se perdendo na Obra de Deus, então essa obra não está mais no caminho de Deus.
Veja bem se não há vinho ficando pelo caminho e se os jarros de vinho não estão vazando e a graça se perdendo por coisas velhas e comodismos estranhos. O Espírito Santo é vento que sopra onde quer e ar parado não é vento.
Discernimento é caminho de Deus.
Assim, podemos concluir, não basta que algo seja dito em oração ou que alguém diga que sentiu em seu coração ou ouviu a voz de Deus. Nem podemos nos contentar com líderes que supomos serem inspirados e acreditar em toda palavra que dizem. Deus nos deu a inteligência para compararmos as coisas e os olhos para vermos e, quando isso nos faltar ou não formos capazes de ver por nós mesmos, Deus nos deixou a sua Palavra e nada pode ficar fora de suas balizas.
Quando se deparar com situações complicadas em seu grupo, então pare um pouco, abra a sua bíblia nessas passagens citadas e reflita com todos, revejam os caminhos que seguiram e pensem se o que estão vivendo está em acordo com a Palavra de Deus para saber se o caminho escolhido e trilhado até aquele momento é mesmo o caminho do Senhor ou dos homens.
E logo (agora que) o Brasil, que vai ser um país rico, assim que esse diabo de petróleo acabar
O dólar é moeda falsa
Americano já não segura as calças
Alemanha quase pedindo esmola
A inglesa não usa mais calçola
Na Itália não tem mais sutiã
Suíça não lava a bunda de manhã
Ô, Cabrobó
Eles vão toma no fiofó
Sacramento das transformações.
Já comentei aqui em outros artigos sobre a Eucaristia (ver menu ao lado) sobre um texto do Papa Bento XVI antes de ser eleito. Um texto bem pastoral e contagiante nas palavras de devoção e amor que ele tem por Jesus presente na Eucaristia.
Segue um trexo de um comentário que fiz sobre parte dessa intervenção do Cardeal Ratzinger num congresso eucarístico na Itália em 2002. Para ler a intervenção na íntegra, clique no link: http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/documents/rc_con_cfaith_doc_20020602_ratzinger-eucharistic-congress_po.html
Estamos na ultima parte do texto. Muito conciso, mas profundo em teologia e espiritualidade, introduz-nos numa percepção da grande transformação que opera em nós o celebrar e receber o Pão e o Vinho. Chama aqui a Eucaristia de “Sacramento das transformações”.
“Para que nos tornemos um só pão com ele e depois um só corpo com ele. A
E assim, “nos tornamos com Cristo e em Cristo um organismo de doação, a fim de vivermos com vista à ressurreição e ao novo mundo”. Este é o passo a ser dado para a quinta e ultima transformação. Toda a criação é participante deste evento em nós e por nós homens. A Criação também é transformada para tornar-se “habitação viva de Deus”.
transformação dos dons, que é unicamente a continuidade das transformações
fundamentais da cruz e da ressurreição, não é o ponto final, mas, por sua vez,
só um início. O fim da Eucaristia é a transformação de quantos a recebem na
autêntica comunhão com a sua transformação”.
39. Ter pra não Ser.
Comentários desativados
Desafios há para todos, seja qual for a vida que queira viver ou ideais que escolha para pautar seu caminho. Desafio mesmo é ser cristão em qualquer lugar, seja onde for. Aquele modelo, Jesus Cristo, é um ideal árduo de se seguir e, viver em clausura, isolado do resto e das tentações não é uma opção possível (não pra todos – e nem estou dizendo que seja fácil também, não!).
É que, pra viver nesse mundo, temos que “viver no mundo”.
Temos que trabalhar, estudar, ganhar dinheiro, divertir… trabalhar mais… tentar ganhar mais dinheiro… sustentar um padrão de vida – quase novela das 8 – e trabalhar mais um pouco. E, claro, é preciso mencionar a escassez de tempo (quem não reclama da falta de tempo?!?). Daí, tempo é dinheiro. Só não sei onde tem pra vender esse tal de tempo: muita gente gostaria de comprar umas horinhas a mais por semana – uns pra trabalhar mais e ganhar mais dinheiro pra comprar mais “tempo”; outros só pra ter um pouco mais e continuar reclamando que ainda falta (difícil agradar a todos!).
Partindo dessa lógica poderíamos até entender porque alguns não têm “tempo pra Deus”. E não falo só de ir à igreja – como se isso significasse “ter tempo pra Deus”. Mas falta tempo até pra ser o que julgamos ou dizemos que somos. Não dá pra ser cristão o tempo todo (quase hora nenhuma), que dirá ser alguém.
Aí encontrei na minha bíblia (tem na bíblia dos outros também) uma conversa de Jesus com um sujeito sem nome que começa da seguinte maneira:
Mt 19,16-22
“Alguém aproximou-se de Jesus e disse: ‘Mestre, o que tenho que fazer de bom pra ter a vida eterna?’”
Como todos conhecem esse trecho (eu acho!?!), vou tratar do que sei que ninguém repara ao ler.
O escritor desse evangelho começa dizendo que um qualquer, alguém indefinido, sem identidade conhecida, alguém sem importância ou relevância suficiente para a narrativa, aproximou-se de Jesus para falar. Isso é bem significativo se pensarmos em quantos já se aproximaram de Jesus e quantos são relevantes e quantos são ignorados. Mas tenho certeza que não foi Jesus quem o ignorou.
Continua: esse tal quer saber como faz pra TER a vida eterna. Basta uma resposta simples e objetiva de Jesus para ele ficar satisfeito. Quer uma receita pronta, um produto pra comprar e levar pra casa com manual de instrução simples de ler e sem complicação pra montar. Nada que tome muito tempo ou que envolva muito compromisso.
Parece com o que temos hoje em dia com as quase mercadorias religiosas. Religião é um tipo de supermercado das alegrias fáceis e da total falta de compromisso: levo o que digo que convém, Deus que se adapte às minhas necessidades. Tem gosto pra tudo, e tudo pra todo gosto; religiosidade de todo tipo e preferência; claro, sempre sem precisar se comprometer com nada e sem tomar o seu precioso tempo que ainda não está à venda no mercado!
O que poucos sabem é que não dá pra TER a vida eterna; não é mercadoria.
[agora fiquei na dúvida se eu precisava mesmo ter escrito isso aí!?! não é óbvio? - vai saber! Pra garantir, escrevo assim mesmo.]
Pra quem quer TER, possuir a vida eterna como um bem de consumo qualquer para pessoas quaisquer, a resposta de Jesus não poderia ser noutro tom:
“Se você quer SER perfeito [bom], vai, vende tudo o que você TEM, distribui o dinheiro pros pobres, e assim poderá TER um tesouro no Céu. Depois [só depois] vem e segue-me.” (vv. 21)
Esse Jesus não está preocupado com o “ter”, mas com o SER. Importa ser alguém. Esse que começou falando com Jesus chegou como um qualquer, como “alguém” dentre muitos. Na narrativa ele não É (do verbo “ser”) relevante, pois valoriza os bens mais que sua própria identidade – quer apenas possuir.
Jesus, ao contrário, quer as pessoas inteiras, com identidade, que saibam o que SÃO (do verbo “ser”) que têm identidade.
Mas, o final da história é triste. Esse tal não entendeu, foi embora sem abandonar seu apego ao “ter”:
“… o jovem foi embora cheio de tristeza, pois possuía ["possuir" e "ter" dá na mesma] muitos bens.” (vv. 22)
Ele preferiu continuar sem identidade.
37. Uma só Igreja. Uma só…
Comentários desativados
Mt 16,13-19 – “Feliz és tu, Simão…”
- Doutrina sobre a Igreja – Congregação para Doutrina da Fé.
Apropriado terminar o mês de junho com algumas recomendações de leitura. Esse é o mês em que celebra-se a festa de São Pedro e São Paulo, colunas da Igreja. E, foram estes homens que deram a vida para garantir que o anúncio do Evangelho de Jesus não fosse esquecido. Cada um a seu modo, mas com os mesmos objetivos: propagar a palavra do Reino.
- DOMINUS IESUS – sobre a unicidade e a universalidade salvífica de Jesus e da Igreja.
- UNITATIS REDINTEGRATIO sobre o ecumenismo. – Vaticano II.
- NOSTRA AETATE sobre a Igreja e as religiões não-cristãs. – Vaticano II.
Cremos num Deus que é amor.
Podemos ler e reler a bíblia, mas algumas vezes nosso entendimento só se abre de fato quando alguém mais ilustrado nos dá o caminho a seguir.
Lemos assim em 1Jo 4,16:
“Nós conhecemos e cremos no amor que Deus
tem para conosco. Deus é amor, e quem permanece
no amor permanece em Deus e Deus nele.”
Veja como Bento XVI explica isso:
“Nós cremos no amor de Deus — deste modo pode o cristão exprimir a opção fundamental da sua vida.”
Lembro até um pouco da carta de Paulo aos Coríntios que começa com um elogio dizendo que eles têm todos os Dons que vêem de Deus. Notem bem, TODOS os dons:
“Assim, enquanto esperam a manifestação de nosso Senhor Jesus Cristo,
não vos falta dom algum.” (1Cor 1,7)
Mas, mais pra frente achamos isso: Paulo vai tratar sobre a diversidade de Dons (carismas), ensinando aquela comunidade que já possuia todos os dons a usar bem a graça de Deus em favor de todos e como devem formar um único corpo, viver em unidade (cf. 1Cor 12).
Terminando o capítulo 12, no versículo 31 lemos o seguinte:
“Aspirai aos dons mais elevados.
E, agora, ainda vou indicar-vos o caminho mais excelente de todos.”
E começa o capítulo 13 falando do amor cristão. É o amor (“agape”) que transmite o dom recebido. Sem isso não é possível identificar-se como cristão e seríamos como sinos que só fazem barulho (cf. vv. 1).
A verdade é que, para Paulo, não bastava ter todos os dons, importava mesmo viver a radicalidade do amor, imitando Jesus. Pra entender, basta ler Jo 3,16:
“Deus amou o mundo de tal modo que deu seu filho único,
para que todo o que nele crer não morra,
mas tenha a vida eterna.”
E podemos completar voltando a 1Jo 4,10:
“Nisto consiste o amor: não em termos nós amado Deus,
mas em Deus nos amar primeiro enviando o seu filho (…).”
.
Aqui deixo então duas sugestões de leitura. A primeira é a carta Encíclica do Bento XVI – DEUS CARITAS EST. Com ela podemos aprender mais sobre o amor cristão. É uma boa fonte de estudo para as famílias, especialmente os casais. Podem aprender muito sobre o modelo de santidade e vivência desse amor conjugal também.
http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/encyclicals/documents/hf_ben-xvi_enc_20051225_deus-caritas-est_po.html
A outra dica é ler a carta de Paulo a Filêmon. Pra isso tem que abrir a sua bíblia e procurar.
É a menor carta de São Paulo, mas é a mais profunda sobre como deve ser praticado o amor ensinado por Jesus. Você terá grandes supresas. Prometo que em breve publico aqui um comentário sobre essa carta.
.

1