O Itamaraty concedeu uma promoção póstuma a Vinicius de Moraes, que era diplomata, a Embaixador no dia de ontem (16/ago/2010). Depois de ser compulsoriamente aposentado pela ditadura militar, foi-se dedicar unicamente à música e à arte. Nos fizeram um grande favor o milicos num ato que poderia parecer bruto. Ainda bem que o demitiram e Vinicius pôde se dedicar exclusivamente ao piano e ao poema.

Nalgumas viagens que fiz ao exterior e conversando com os não-brasileiros, pude (e todos podem) perceber que temos muitos brasileiros famosos e, reconhecidamente, levam e elevam o nome de nosso país. Mas nem todos podem ser chamados de “embaixadores”.
Uma comparação: todos conhecem e reconhecem o Pelé como grande jogador de futebol, atleta exemplar e figura carismática. Mas isso não o faz “embaixador”. Vinícius de Moraes é-nos íntimo e propagador do que temos de melhor e com ele pudemos exportar arte, “o grau mais alto da capacidade humana” (Tom Zé). Ele só não tinha o título oficializado, mas levou o nome do Brasil a um reconhecimento único. Nem todos viram Pelé, nem se pode imitar suas façanhas; mas todos ouvimos Vinicius e podemos compartilhar sua genialidade, mergulhar em suas criações.
Para quem não viu a notícia:
Impressionante as pessoas em outros países reconhecerem figuras que representam algo a mais que samba e futebol, uma vez que só exportamos lixo, não que eu não goste de futebol, muito menos que eu goste de samba, mas gosto mais do nosso BrasiL.
Numa ditadura, Bolsari, em qualquer lugar do mundo o contrário leva paulada…. seja o que for.