Querem calar os Blogs e a opinião pública

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Posted on : 17-11-2009 | By : Marcos Lemos (@hordones) | In : Internet, Política

É incrível como ainda existem pessoas disposta a querer limitar e censurar outras. Na nossa constituição brasileira temos garantida nossa liberdade de expressão (mesmo se não somos imprensa/jornalistas): é nosso direito como cidadão dar opinião sobre o que quer que seja e sobre quem quer que seja. Mas existem políticos e juízes que insistem em ignorar esse fato e estão proibindo blogueiros de exercer sua cidadania.

Resumo da notícia: No Mato Grosso, alguns blogs/sites locais que relatam as ações do Ministério Público e Polícia contra o Deputado Estadual José Riva (PP-MT), foram censurados e proibidos de tratar do assunto pela justiça. São os blogs do Enock Cavalcanti, Página do E, e da Adriana Vandoni, Prosa e Política. Indo contra a mídia tradicional local, que insiste em ignorar os fatos e não denuncia as suspeitas de ações ilegais do deputado Riva, essas pessoas resolveram exercer sua cidadania, fiscalizar o poder público e denunciar o que consideram irregular/ilegal.

Insistir em querer calar a opinião pública é mais do que ir contra a constituição. É um resquício de coronelismos e ditaduras vividas nesse país e que o saudosismo de velhos elitistas insiste em querer restaurar. A democracia é feita da divergência de opiniões e do embate com o diferente para prevalecer o bem comum. Utopia? De certo que sim. Mas todos os sistemas sociais são utópicos e é da natureza humana lutar por sonhos e projetos ideais de organização.

“O controle social é um valor que se afirma, cada vez mais, como um complemento fundamental dos controles realizados pelos órgãos que fiscalizam os recursos públicos”
(Enock no artigo citado acima)

Os blogs e sites são a nossa praça pública (já tratei disso aqui: Internet: a grande praça pública), onde podemos nos igualar e até superar o controle da informação e a falsa isenção/imparcialidade que a mídia tradicional nos quer forçar a crer que exercem.Assim nos fazemos ouvir, encontramos aqueles que pensam como nós e confrontamos nossa opinião para dar voz à democracia (muito mais do que simplesmente votar e deixar rolar). Temos o direito de fiscalizar e denunciar o que cremos ser irregular, ilegal ou imoral – principalmente na política.

Aqueles que querem calar a internet, lugar onde se propaga a voz de muitos esclarecidos e não domados, verão que isso é impossível. A repercussão de assuntos relevantes para a sociedade foge a qualquer controle externo, como nesse caso: tentar impedir que blogs e sites tratem sobre o que fez e/ou deixou de fazer o Deputado José Riva do Mato Grosso só fez a informação correr mais rápido e a opinião pública se virar cada vez mais contra ele. Isso também experimentou o Senador (ex-presidente) José Sarnei e será assim nas próximas eleições.

Se fomos nós quem votamos e elegemos nossos representantes e se esses trabalham para o cidadão, num regime de representação direta, então é direto meu, nosso, de todos fiscalizarmos e denunciarmos seja o que for contra quem for, em todos os níveis, independente se a justiça já tenha se pronunciado, condenado ou absolvido. Isso vale para todos os níveis e os blogs, redes-sociais e fóruns têm a obrigação de fazer de sua pauta todo tema que considerar relevante para o país.

Filme da Bruna Surfistinha e a total inversão de valores

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Posted on : 16-11-2009 | By : Marcos Lemos (@hordones) | In : Cinema, Televisão

bruna-surfistinha-foto Num país de misérias e sérios problemas de desigualdade social, encontrar histórias de sofrimento e exploração é quase lugar comum. Mas o  mais incrível é nossa capacidade (da mídia especialmente) em inverter valores e transformar vilões em heróis. Agora temos a história de uma ex-prostituta de luxo, para ser contada nos cinemas e merecendo até reportagem no Fantástico da Rede Globo.

Quem não viu, no domingo dia 15 de novembro (2009), o Fantástico noticiou a gravação do filme que vai contar a “bela” história da Raquel Pacheco – conhecida como Bruna Surfistinha – que também foi dependente química.

Resumindo: fugiu de casa aos 17 anos, prostituiu-se nas ruas até virar garota de programa de luxo; casou-se, por fim, com um advogado rico, mora num apartamento de luxo; escreveu um livro sobre suas aventuras sexuais – que antes havia publicado em seu blog.

Para ver a reportagem com o vídeo: Déborah Secco interpreta Bruna Surfistinha no cinema.

Todos temos o direito de seguir o caminho que queremos, mas contar uma história da vida de uma garota que viveu tudo errado, como um conto de fadas moderno, isso não me parece uma boa coisa.

Não vi o filme e não conheço o roteiro, mas posso adivinhar. Vão dizer que ela sofria em casa e resolveu fugir. Na vida dura das ruas acabou sendo levada à prostituir-se (contra sua vontade #ironia) e vai nos parecer alguém sofrido para termos dó – quase como “Dois filhos de Francisco” #maisironia – e vamos acreditar que tudo o que ela sofreu vai nos dar uma lição de como a vida pode ser injusta.

Dia a atriz, Débora Secco, sobre sua personagem:

“A Bruna é um personagem muito rico, porque tudo o que ela é por fora é diferente do que ela é por dentro.”

Em outras palavras: se ele é uma coisa por fora e outra por dentro, então a Débora está interpretando uma pessoa falsa, uma mentira. É esse o tipo de história que vão contar?

Como as adolescentes de hoje interpretarão a história: [modo adolescente ligado] Ah! Então ela sofreu alguns anos, mas depois transava só com caras ricos e bonitos. Vendia seu corpo, como qualquer mulher faz hoje na TV (vide as mulheres frutas do funk). Por fim achou um homem rico, advogado, que quis casar com ela e tirá-la dessa vida (isso já foi contado no “Uma linda mulher” e todas querem o mesmo). Ok! Vou fazer o mesmo [modo adolescente desligado].

Não estou defendendo uma sociedade puritana, aos moldes de uma revolução cristã (ou teocrática de burcas), mas um mínimo de consciência temos que ter. Mas de que adiante ser contra? O que vale mesmo é saber que um filme desse vai render bilheteria, vender milhões. E o que vale mesmo é ganhar dinheiro.

Obs.: Gosto de mulher, mas não que seja vulgarizada e prostituída.

Resenha do filme “2012” e nossa percepção de tempo, religião e ciência

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Posted on : 15-11-2009 | By : Marcos Lemos (@hordones) | In : Cinema

filme-2012 Sempre vemos velhas contagens e insanos relatos de quando e como o mundo em que vivemos e como conhecemos irá acabar, ter um fim fatídico e irrevogável. Essas visões proféticas  sempre foram provocadas pela religião (qualquer uma), mas depois de todo alarde climático, a ciência (em todos os níveis) também resolveu fazer suas previsões – muito semelhantes às da religião. E o cinema não poderia deixar de dar sua versão dos “fatos”. Read the rest of this entry »

As portas do preconceito e da ignorância

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Posted on : 13-11-2009 | By : Marcos Lemos (@hordones) | In : Diversos, Internet

Onde está a nossa capacidade de reconhecer que não há seres humanos melhores ou piores simplesmente olhando para o fenótipo (característica física)? Não há classes de humanos, nem raças ou outra forma de classificação. Mas o olhar insiste em dirimir preconceitos e nossas atitudes insistem em provar nossa ignorância. O Manifesto Porta na Cara do Circo Voador fez um pequeno flagrante dessa abordagem humana.

Assista o vídeo e leia abaixo:

Segundo informa o próprio blog do responsáveis pelo projeto, só foi usada a imagens desses dois jovens por terem sido as melhores de outras tentativas (também com outros). Também não estão se referindo à empresa em questão, mas mostrando um problema generalizado no modelo usado para manter a segurança do local.

Como já tratamos aqui várias vezes, repudiamos qualquer forma de preconceito ou discriminação a apoiamos a idéia do Manifesto em propor um outro modelo que não esteja sujeito à ingerência falha de uma pessoa.

Fonte: Manifesto Porta na Cara / Vídeo flagrante / Sobre o vídeo do Manifesto

A Mídia, a oposição e a falsificação da notícia

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Posted on : 11-11-2009 | By : Marcos Lemos (@hordones) | In : Política, Televisão

Sobre o apagão e como as diversas notícias nos chegam.
É triste ver a ação da oposição ao governo e a tentativa da mídia em constantemente querer culpar o Governo Lula e/ou a Dilma por qualquer coisa que acontece nesse país. Vimos isso hoje (11/11/09) com o apagão que ocorreu na noite passada: como conseguem distorcer fatos para insistir em críticas fantasiosas e falsas. Infelizmente não há credibilidade no jornalismo feito no Brasil.

Acompanhei o apagão por todo o tempo via Twitter (@hordones), quando várias pessoas de todas as partes relatavam o que estava acontecendo. Rapidamente espalhou-se que a causa poderia ser o tempo (climática), por fortes chuvas na região sul do estado de São Paulo e na região de Furnas, afetando linhas de transmissão. Isso foi confirmado mais tarde.

Mas o que publicam nossos órgãos noticiosos, sites e TV?

No entanto, o mesmo site, na página do Jornal Hoje, enquanto preparavam as matérias pedindo ajuda dos internautas, publicaram o seguinte:

“Há forte suspeita que causas naturais tenham provocado tudo isso. Informações meteorológicas dão um cenário do que aconteceu na noite de ontem.
Mas já é possível adiantar que houve um festival de raios! No Paraná, foram mais de sete mil, em São Paulo, mais de nove mil! O que pode ter causado um curto circuito.”

Então, o que há a Ministra Dilma (da Casa Civil) com o apagão acidental de ontem?
A questão é que se insiste nesse país em vivermos de factóides, mentiras e especulações de fatos não ocorridos. Contar uma mentira várias vezes para ver “se cola”. Exatamente como fizeram no caso do Presidente Lula e o suposto “terceiro mandato” – e há quem acredite em um possível golpe ainda.

Nos acostumamos a não precisar pensar e só queremos absorver o que publicam ou passa na TV, sem o mínimo de questionamento ou bom-senso. Nosso sistema elétrico tem suas falhas, isso todos sabemos e precisamos modernizar rapidamente para acompanhar o crescimento econômico que pretendemos, mas querer culpar o governo por fatalidades e acidentes meteorológicos é abusar da ignorância alheia.

Ilustrando com o que diz o jornalista Luis Nassif em seu blog: O apagão infantil do Estadão. Em seu comentário mostra claramente como a mídia tradicional vem falsificando a notícia, quando deveria, de fato, nos informar, insistindo na mentira.

O pior é que a oposição (política) que temos nesse Brasil ainda vai, no fim, acabar querendo abrir uma “CPI do Apagão” para investigar raios e trovões do céu, pra ver o quanto o governo Lula manda em São Pedro (Oposição entra com pedido para ouvir ministro de Minas e Energia). Se querem ouvir o Ministro para ajudar a melhorar e prevenir acidentes, acho totalmente válido, mas duvido muito das boas-intenções (que enchem os infernos) às vésperas de eleições majoritárias.

Caso UNIBAN: usar mini-saia é crime?

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Posted on : 09-11-2009 | By : Marcos Lemos (@hordones) | In : Diversos

Não se pode impor uma moral a ninguém, nem forçar outro a agir como eu acredito ser certo ou errado. No espaço público só cabe o direto à individualidade e todos temos que respeitar a opção alheia. Tolerância, diálogo e respeito são princípios éticos mínimos para a vida em sociedade, especialmente em um país tão diversos como é o Brasil. E, quem diria, justo no Brasil tropical, usar mini-saia pode gerar até expulsão em faculdade. Mas discriminação e intolerância não tem problema e é até louvável. #vergonhaAlheia

Nem é preciso aqui narrar o ocorrido do dia 22 de outubro (2009) na UNIBAN, uma universidade particular de São Paulo. O melhor é que a internet e os modernos celulares, hoje em dia não deixam escapar nada. Vimos, estarrecido os gritos insanos de universitários-classe-média, chamarem de “PUTA” a colega que usava um vestido curto.

Não importa o que gerou o tumulto de fato: se o desrespeito dos colegas intolerantes ou alguma provocação da aluna. Nada justifica intolerância e atitudes como a que assistimos. Mas o que quero dar destaque é à atitude da universidade que publicou em nota na Folha de São Paulo a expulsão da aluna. Veja a imagem (clique para ampliar. Fonte no link):

aluna-uniban-nota-jornal

Alguns trechos que mostram o total despreparo da universidade em lidar com a situação tornando culpada a aluna:

“(…) A aluna fez um percurso maior do que o habitual, aumentando sua exposição (…)”

“Foi constatado que a atitude provocativa da aluna, no dia 22 de outubro, buscou chamar a atenção para si por conta de gestos e modos de se expressar, o que resultou numa reação coletiva de defesa do ambiente escolar.

Os grifos são meus.

Mas o melhor de tudo é o que vem das manifestações de repúdio sobre esse ato de intolerância: como a internet é uma grande praça pública, a credibilidade da UNIBAN foi posta à prova e o descontentamento é geral como pude notar no Twitter, após o anúncio da expulsão da garota.

Veja essa matéria para completar: UNIBAN anuncia expulsão de aluna hostilizada por usar minivestido.

Mas temos uma mania estranha no Brasil de pervertermos tudo, destruir valores e impor uma falsa moralidade cristã, que chega a dar nojo. Nenhuma atitude da garota, fosse o que fosse, justificaria a hostilidade e intolerância dos colegas, nem a expulsão da faculdade. E a credibilidade da UNIBAN foi jogada no ralo.

ATUALIZAÇÃO (09/11/09 às 20:15h): A reitoria revogou a decisão do conselho universitário de expulsar a aluna. Acredito que a pressão da opinião púbica fez eles repensarem a ação. Conforme nota, que não explica o porque da nova decisão, diz:

“O reitor da Universidade Bandeirante – Uniban Brasil, de acordo com o artigo 17, inciso IX e XI, de seu Regimento Interno, revoga a decisão do Conselho Universitário (CONSU) proferida no último dia 6 sobre o episódio do dia 22 de outubro, em seu campus em São Bernardo do Campo. Com isso, o reitor dará melhor encaminhamento à decisão.”

O mínimo que deveriam ter feito é uma reunião interna para deliberar sobre o assunto, antes de expor a aluna e a UNIBAN nessa situação vexatória, que resulta em uma imagem manchada. O debate sobre o papel das universidades e a importância do respeito ao indivíduo, ao menos, foi fortalecido.

Link da nova notícia: Uniban revoga decisão de conselho que expulsou aluna hostilizada por vestido curto.