Enquanto assistimos ao longo e degradante espetáculo dos poderosos e coronéis de nossa política, que ocupam cargos eletivos a longas décadas, seja por imposição militar e falsa democracia ou se por ignorância de um povo que só é capaz de enxergar aquilo que as viseiras da mídia elitista consegue nos impor, quase nos perdemos em conseguir distinguir o que é correto. Já nos falta coragem até para querer entender o que se passa e nos rendemos, aceitamos a posição de espectadores do novo “pão e circo”.
No dia 25 de Agosto de 2009 (terça-feira) subiu à tribuna do senado federal o ilustre Eduardo Suplicy (PT-SP) com um lúcido propósito de firmemente defender a renúncia de presidente daquela casa, o Senador José Sarney. Usando de uma imagem simples e clara, deu o cartão vermelho ao seu colega, que já se mostra incapaz moralmente (há pelo menos 3 décadas) de continuar à frente do Senado. Mas o Senador Heráclito Fortes (DEM [PFL]-PI) quis interromper dizendo que o Suplicy não era sincero, pois deveria “dar cartão vermelho” ao presidente Lula.
Veja o vídeo:
Até quando a direita desse país, quase a Terra do Nunca ou o lugar dos contos de fadas, continuará tentando nos fazer de idiotas e massacrar nossa inteligência? Se homens públicos do porte do Eduardo Suplicy não podem mais se posicionar de forma veemente contra aquilo que já é notório – todo os crimes políticos cometidos pelo Senador Sarney e tantos outros que não cabe aqui citar nomes, mas esse já ilustra bem o problema que vivemos – se homens sério e honestos como Suplicy têm que “calar a boca” e não podem protestar, o que dirá de nós, reles civis.
Não há imprensa livre nesse país que já não esteja vendida aos interesses financeiros e políticos que a elite quer determinar. Somos obrigados a engolir a merda que eles nos querem fazer acreditar e ainda temos que pensar como eles nos querem impor.
Nunca ninguém viu o Senador Eduardo Suplicy tão exaltado. Tenho certeza de que sua reação tão forte e incisiva foi pelo fato de querem ter calado sua voz e desmoralizar seu discurso que era, naquele instante a voz de tantos brasileiros que não admitem que nada seja investigado contra o senador Sarney. Nào é possível aceitarmos que tudo sempre seja arquivado e que a mídia crie seus espetáculos semanais distorcendo a verdade.
“O espetáculo sobre os atos secretos já passou”, dirão os editores é preciso criar novos fatos (factóides) que mantenham o ritmo intenso da “novela”, pois há de se matar um “mocinho” por semana e um “vilão” tem que gerar o drama. A mídia fez do ato do Suplicy uma cena de canastrão, transformando o Heráclito Fortes naquele que tem a razão – “o Lula é muito pior, foi o culpado de tudo isso aqui no senado”, defendeu o Heráclito…
Será que o Lula é culpado de tudo? Mas bom mesmo é ver novela. Acreditamos que elas são um “retrato da vida real” e que nós somos a ficção. Lá tudo se resume entre segunda e sexta-feira, pois se assuntos demorarem mais que 5 dias para se resolverem e chegarem a um desfecho, o público perde o interesse. Assim cada semana temos uma novela nova. Queremos que tudo seja como saído do imaginário de um roteirista de novela, só que nesse caso, cabe ao editor do jornal esse papel. Nos esquecemos do que ficou na semana passada, porque já tem coisa nova no ar.
Foto: site UOL.
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