Não importa o grupo religioso em que você se encontra, nem qual Igreja ou Comunidade de Fé cristã que você participa; também não importa quem sejam os líderes ou se são “santos” e milagreiros – sempre ficará a dívida de alguns se uma obra “é de Deus” ou é apenas vontade humana disfarçada de bondade e coberta de boas intenções. Algumas vezes se usa até o nome de Deus e orações ou caridade para se burlar a lei, mentir e enganar. Então, como ter o discernimento correto sobre essas coisas?

Eu estive pensando nisso enquanto lia a bíblia em algumas passagens específicas e percebendo que podem ser usadas para saber se algo vem de Deus. A Palavra de Deus serve para orientar nossa vida em muitas coisas e pode nos ensinar a viver bem em comunidade e perceber se as coisas de Deus estão no caminho certo e não estamos sendo enganados por falsos líderes oportunistas ou por pessoas que só nos farão perder tempo ou fazer mal uso de nossa boa fé.

E, para ter esse discernimento sobre qualquer coisa que seja, na sua Igreja ou no seu grupo, não é nem preciso ser um especialista em bíblia, basta entender bem do que tratam esses dois trechos que vamos citar logo abaixo.

1. Cuidado com o fruto podre – Lc 3,9 / Mt 12,33

Vamos começar citando os textos e você verá como fica claro entender o que estou querendo propor aqui:

“O machado já está posto à raiz das árvores; e toda árvore que não produzir bom fruto será cortada e lançada ao fogo.” [Lc 3,9]

“Plante uma árvore boa e ela dará fruto bom; plante uma árvore prejudicada e ela dará frutos prejudicados. Pois, pelo fruto conhecemos a árvore.” [Mt 12,33]

Isso já é até ditado popular “fruto podre estraga todo o cesto”. Mas aqui a Palavra de Deus vai mais longe e não olha apenas para a fruta que está perdida. Quando o fruto não presta, então toda a árvore já estava perdida antes. Uma árvore boa pode dar frutos ruins? Impossível.

Mas é possível que o fruto se perca sozinho em duas situações:

  • a) se não for consumido a tempo = então aquele fruto não serviu o seu propósito. Ficou guardado e apodreceu, não matando a fome de ninguém, pois era para isso que servia. Se o fruto é colhido da árvore boa, mas não dá o resultado esperado, então de nada valeu a árvore produzir bons frutos.

Assim é também com a Obra de Deus. De que vale um grupo de pessoas que rezem e cante, busquem a Deus e vivam seu caminho de forma reta e irrepreensível, mas que seus frutos não podem ser vistos nem consumidos por mais pessoas. Se este grupo não produzir resultados satisfatórios será como o empregado que recebeu um talento e o enterrou, não fazendo que produzisse mais para seu senhor (Mt 25,14-30).

  • b) ou se se desprender da árvore e cair no chão = nesse segundo caso é como se o fruto fosse esquecido ou até desprezado. As pessoas olham para a árvore, vêem seus frutos, mas ninguém quer colher, nem se sente motivado em se aproximar para usufruir daquele alimento. Assim aquela árvore pode ser bela e frondosa, mas está no limbo. A Obra de Deus é para ser vista e atrair as pessoas para o seu Amor e para a Salvação de Jesus.

Se todos passam, mas desprezam aquela obra e nem se interessam por seus frutos, aquela obra é morta, terá o machado como solução e o fogo como castigo.

2. Renovar-se sempre – Mt 9,17

Agora vejamos esse outro trecho e como ele pode nos ajudar a discernir a Obra de Deus e as pessoas que trabalham nela.

“Não se põe vinho novo em odres velhos, senão os odres arrebentariam, o vinho se derramaria e os odres se estragariam. Vinho novo em odres novos, e ambos se conservam.” [Mt 9,17]

Veja como são as últimas palavras: “ambos se conservam”. A Palavra de Deus é sempre nova e busca pessoas novas, renovadas em seu amor, em seu Espírito. Se queremos que as coisas de Deus sejam sempre bem conservadas, então devemos dar espaço à renovação constante e aceitar que não sabemos tudo e que as coisas também mudam.

É natural do ser humano acomodar-se e se conformar com situações que parecem boas e favoráveis. Bem como é comum nos deixarmos levar pelo caminho mais fácil e sem desafios novos e até nos prendemos às nossas velhas rotinas acreditando que sabemos qual a melhor maneira de fazer tudo e que somos os únicos que sabem fazer aquele serviço direito.

Essa tendência a aceitar a situação mais cômoda não é da Obra de Deus. As coisas de Deus estão em constante renovação e se faz para pessoas que não se acomodam nem se conformam. O Espírito Santo é dinâmico e está sempre nos desalojando de nossas fraquezas e não nos deixa ficarmos presos às nossas limitações. Se algo está se perdendo na Obra de Deus, então essa obra não está mais no caminho de Deus.

Veja bem se não há vinho ficando pelo caminho e se os jarros de vinho não estão vazando e a graça se perdendo por coisas velhas e comodismos estranhos. O Espírito Santo é vento que sopra onde quer e ar parado não é vento.

Discernimento é caminho de Deus.

Assim, podemos concluir, não basta que algo seja dito em oração ou que alguém diga que sentiu em seu coração ou ouviu a voz de Deus. Nem podemos nos contentar com líderes que supomos serem inspirados e acreditar em toda palavra que dizem. Deus nos deu a inteligência para compararmos as coisas e os olhos para vermos e, quando isso nos faltar ou não formos capazes de ver por nós mesmos, Deus nos deixou a sua Palavra e nada pode ficar fora de suas balizas.

Quando se deparar com situações complicadas em seu grupo, então pare um pouco, abra a sua bíblia nessas passagens citadas e reflita com todos, revejam os caminhos que seguiram e pensem se o que estão vivendo está em acordo com a Palavra de Deus para saber se o caminho escolhido e trilhado até aquele momento é mesmo o caminho do Senhor ou dos homens.

  1. Mikael Fernandes:

    Marcos Lemos vc é evangélico?!

  2. Marcos Lemos:

    @Mikael,
    Sou Católico Romano.
    Sou formado em Teologia pela PUC-Minas.

  3. Mikael Fernandes:

    Eu sou evangélico!

  4. Maycoo Nunes:

    Muito bem abordado, temos que ter sabedoria na hora de realizar algo.
    parabens