[É assunto recorrente deste blog, vou tocar neste tema mais uma vez: racismo. Tem gente que insiste em ser ignorante e orgulhar-se deste fato... vai entender!
Ah!
Dentro do assunto vou comentar sobre os 40 anos da revista Veja e o quanto é importante buscar boas leituras - e, pode ter certeza, não estou me referindo à Veja como exemplo de boa leitura (nem deveria ser lida - mas essa é minha opinião)]

Aqui já postamos inúmeras vezes contra qualquer tipo de segregação, preconceito e/ou discriminação – que, como canta o ilustre Gabriel (o pensador), “racismo é burrice”. Mas esse é um tema que parece ser difícil de penetrar as mentes mais caducas e também as mais imaturas, então, nada mais justo que insistir na correção.

Um dos textos mais brilhantes do século XX (esse que ficou pra trás) é o da Declaração Universal dos direitos humanos. Postaremos abaixo quatro de seus artigos que podem nos ensinar muito e abrir nossa mente – excelentes argumentos contra a propagação de qualquer tipo de discriminação – e pequenos comentários. Vejamos:

Artigo 1 – Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotadas de razão e consciência e devem agir em relação umas às outras com espírito de fraternidade.
[A grande novidade da declaração está logo na primeira frase. Não somos iguais por definição ou lei que regula e/ou torna-nos iguais; somos iguais porque NASCEMOS IGUAIS. Isto é uma condição da natureza humana.
E outra novidade: termina com um dever simples, claro e objetivo para a conduta humana - "agir com espírito de fraternidade". Ou seja: com o sentimento de irmandade; somos iguais e irmãos.]

Artigo 2 – Toda pessoa tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidos nesta Declaração, sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra condição.
[Se somos todos iguais, não faz sentido diferenciações. Basta um pouco de lógica para entender: Somos iguais, logo não somos diferentes; portanto, não existem diferenças entre as pessoas.]

Artigo 6 – Toda pessoa tem o direito de ser, em todos os lugares, reconhecida como pessoa perante a lei.
[Esse é, em meu conceito, o artigo mais importante de toda a Declaração. Pessoa tem que ser tratada como pessoa. Ser humano não é máquina, nem objeto, nem produto ou mercadoria. Sendo redundante: todo ser humano deve ser reconhecido como pessoa humana. Lógico! Mas tem gente que não entende... e mesmo assim devem ser tratadas como pessoa também.]

Artigo 7 – Todos são iguais perante a lei e têm direito, sem qualquer distinção, a igual proteção da lei. Todos têm direito a igual proteção contra qualquer discriminação que viole a presente Declaração e contra qualquer incitamento a tal discriminação.
[Repetem que não se deve fazer distinção de pessoas e vão além: também não se deve provocar, promover discriminação. É isso que vamos tratar no restante desta postagem.]

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Tenho o costume (que aprendi com meus pais) de procurar boas leituras e ser crítico mesmo com o que parece bom (as aparências enganam!). Com isso, temos lido a algum tempo a revista semanal Carta Capital e minha parte preferida é a seção “A Semana”, pelo Mino Carta. E a revista do dia 10 de setembro de 2008 foi particularmente brilhante na capacidade de observar detalhes que passam desapercebidos a olhares descuidados.

Fazendo uma crítica aos 40 anos da revista Veja, reproduziram a publicidade dela mesma sobre um seminário que realizou-se no dia 2 de setembro como forma de comemoração. Então, scaniei (acho q essa palavra não existe) a imagem e repito o comentário do Mino Carta:

“O anúncio do seminário convocado para discutir “O Brasil que queremos ser” apresentava como garotos-propaganda duas crianças caucasianas, possivelmente alemãs ou, talvez, suecas.” (leia o artigo na íntegra)

Isso fez-me lembrar de outro episódio da mesma revista que tanto apregoa ser isenta e imparcial. Em ano de eleição presidencial, justo 2006, na capa de sua revista semanal de publicação nacional a Veja publica a capa ao lado e o artigo que segue no link (http://veja.abril.com.br/160806/p_052.html) descaradamente preconceituosa, tendenciosa, parcial e incitadora de discriminação.

Está dito em letras brancas da capa: “Nordestina, 27 anos, educação média, 450 reais por mês, Gilmara Cerqueira retrata o eleitor que será o fiel da balança em outubro” (revista de 16/08/2006). É o mesmo que dizer: Mal nascida, jovem, burra, pobre… Faltou só o comentário da cor da pele – ôps! não faltou, colocaram a foto dela: ela é negra.

Com certeza, o Brasil que a revista Veja defende ou quer, não é o Brasil dos brasileiros.

Acho que faltou ler a Declaração Universal dos Direitos Humanos.

  1. Tiago Luís:

    Só quero endossar a opinião: veja não é a leitura de qualidade para o brasileiro. Ela quer construir um Brasil à sua imagem e, como vimos, é um país para a elite.

    Além da Carta Capital, tem uma agência de notícias online com contribuições de grandes nomes como o sociólogo português Boaventura de Sousa Santos, o prof. da USP Emir Sader e outros:
    http://www.cartamaior.com.br

    Vale a pena conferir e receber por e-mail.

    Paz e bem!
    Tiago Luís

  2. Marcos Lemos:

    Tiago,
    bem lembrado o link da Carta Maior.

    Aproveito aqui para recomendar o seu blog tb:
    Estado Noético com assuntos voltados para a filosofia – http://estadonoetico.blogspot.com/

    Abraço!

  3. nelsonalvespinto:

    Excelente artigo.

  4. Anonymous:

    Só gostaria de agradecer por me proporcionar uma excelente leitura!

  5. Vitor:

    Que a paz de Jesus e o amor de nossa Senhora estejam com todos vocês!

    Muito boa postagem, Marcos! Parabéns!
    Certamente, visitarei seu blog mais vezes!

    Que Deus lhe abençõe e abençõe toda a sua família e todos os visitantes do teu blog!

    Grande abraço do seu irmão em Cristo!

    Vitor

    http://movimentosalvaialmas.blogspot.com

  6. Yelva Toledo:

    que relação pode existir entre os sem fé e os que possuem o dom da fé?

    e pode alguém assumir o Deus de Jesus
    e ainda assim ser (ter um comportamento) racista?

    um pedido do coração…
    entre nós (que cremos) não existam tais pessoas

    se existirem …reflitam

    e sempre encontremos no nosso Deus
    a medida de tudo;

    a força de ser testemunho_-evangelho para os que pensam diferente de nós,

    (Como um padre disse: “muitas vezes somos o único evangelho disponível para o outro”)

    sejamos (cada um de nós) a página mais linda de Jesus para os que acreditam e principalmente para os distantes, distraídos, incrédulos

    PARATODOS

    F E L I C I D A D E S

    gostei muito

    Yelva

  7. Adan Ribeiro:

    Quando li as características da moça na revista não entendi como preconceituoso. Se ela realmente ganha o que ganha, tem a cor que lhe veste e o nível educacional que está descrito no texto, isso se caracteriza como um preconceito? A observação não seria: “O preconceito está no ponto de vista de quem o vê.”?

    Adan – adanribeiro@ig.com.br

  8. Marcos Lemos:

    Pois é, Adan Ribeiro.
    Mas o problema da Veja está noutro detalhe: vc olha apenas a verdade da descrição da moça… mas isso é só “meia-verdade”.
    O preconceito não está na descrição, mas na reportagem e no que defende a revista q defende q pessoas como ela (a maioria dos brasileiros) não deveria ter direto de vot ou de escolher seus líderes…

    .

  9. Esther:

    As crianças sao brancas de olhos castanhos e cabelo castanho, como boa parte da populaçao, pois somos metade brancos. Suecas sao quase todas loiras e olhos claros. Uma criança dessas por lá é motivo de fazer as pessoas pararem para olhar…

    Penso que houve um certo exagero, pois uma sociedade sem racismo significa tratar IGUALMENTE todas as raças. O Brasil é MULTI-étnico, e não apenas negro, como se colocar brancos fosse uma escolha declarada CONTRA negros.

    Não vi igualmente usarem japoneses -a maior colônia japonesa do mundo é aqui – nem chineses, nem descendentes de alemães, nem índios, nem tantos… mas duas crianás que representam um grande grupo. Será que os japoneses se sentiram ofendidos ?

    Voltemos a declaraçao universal dos direitos do homem: todos nascem IGUAIS, portanto sejamos tratados igualmente!

    Quanto a capa da Veja, podemos verificar se existe PRE-conceito (um conceito sem verificaçao, conforme seu significado) fazendo-se a amostragem científica da raça da leitora de baixa renda. Penso que seja apenas um pouco maior o númeor de negras das de brancas e pardas. Portanto, fica o impasse: não faço uma capa real, por medo de ofender, ou faço, e NAO ME ENVORGONHO da realidade?

    O proconceito não está em ter chamado de BURRA (como tratou essa crônica) uma pessoa de instrução média e salário de 450 reais?

  10. Doutor X:

    Artigo realmente interessante. Falo mais disso no meu novo blog: http://doutorx-polemicas.blogspot.com/

  11. Marcos Lemos:

    Encontrei esse artigo no blog do Luis Nassif (jornalista renomado)
    http://www.projetobr.com.br/web/blog/4#6716

    Vale muito a pena ler isso…
    O link do blog tá na lista do meu blog… recomendo!

  12. Marcos Lemos:

    .

    Mais um link do Nassif – http://luis.nassif.googlepages.com/

  13. LEONARDO:

    para Esther:
    SOMOS METADE BRANCOS?? JRIOEAJRIOEAJROJROHUIREAHRIUEAHR
    SÓ SE FOR METADE DE CADA BRASILEIRO..
    90% DESSE PAÍS É MISCIGENADO
    TÁ PENSANDO QUE SÓ PORQUE É UM POUCO MAIS CLARA PENSA QUE É BRANCA??? JRHREAIHREAIRHAEIRJEAOIRJAEROJAEORJR
    É CLARO QUE ESSAS CRIANÇAS ESTÃO AÍ PELO MOTIVO APRESENTADO POR MINO.
    QUAL A MENTALIDADE DA REVISTA VEJA E DA ELITE NACIONAL?? O MESMO PENSAMENTO QUE CIRCULAVA NOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO E NA CABEÇA DAS ELITES DURANTE O SÉCULO XIX….EMBRANQUECER A POPULAÇÃO É DAR PASSOS EM DIREÇÃO AO PROGRESSO. POBRE É POBRE POIS É VAGABUNDO.