Posted on : 13-06-2008 | By :
Marcos Lemos (@hordones) | In :
Capoeira, Diversos
As senzalas eram as casas dos escravos negros nas terras coloniais portuguesas, o que comumente chamamos hoje de Brasil. Estas “casas” eram, em alguns casos, os porões da Casa Grande – a casa do “Senhor do Engenho”, do patrão, do dono da fazenda, o escravisador.
Lá amontuavam-se às centenas, em condições sub-humanas e degradantes.
Mas, falar da desgraça daquela gente, não conta a história toda e pode ser injusto. É interessante contar a história de superação mais do que a história de vergonha do homem branco que foi (e em alguns casos ainda é) incapaz de reconhecer humanidade no outro.
Superações são milhares: percorreriamos a história de Zumbi à feijoada. Um que ganha status de heroi para nossa cultura e outro que passou a ser servido até para reis. Mesmo diante do improvável, aqueles homens e mulheres enchiam-se de força para acreditar na liberdade e sonhar com igualdade.
Neste contexto de opressão, surge uma luta de fato. Misturando-se das diversas artes de guerra corpo-a-corpo dos povos e tribus que vieram da África, adentra o século XX e é moldada pelas mãos de Vicente Joaquim Ferreira Pastinha e Manuel dos Reis Machado (Bimba), aclamados mestres e criadores da capoeira moderna.
Essa luta disfarsa-se de música, esconde-se na malícia e na vadiagem, uma quase arte quando dança, canta e bate palmas. Confundida com a religiosidade afro dos terreiros e levada às academias granfinas. Tudo isso para servir como arma de contestação e servir como ferramenta de aceitação e alegria de um povo.
Essa semana que passou, no dia 5 de junho, foi o aniversário do Amadeu Martins (Mestre Dunga). Outro que fez da capoeira em balet, voltando-a para as ruas de Belo Horizonte a mais de 40 anos. Curioso é como construiu a sua casa numa das favelas de lá. Sua casa é sua academia e por lá treinaram muitos mestres e professores dessa arte, a capoeiragem. Chama o lugar de Senzala, pra não esquecer sua origem: é um quase porão, pobre, mas que na poeira daquele lugar respiramos a tradição e a história de nossa cultura, cantada, dançada e jogada com os braços e pernas.
Quem quiser pode ir lá. A capoeira não discrimina, nem vê a cor da pele ou compara riquesas e pobresas. É uma forma de falar de gente e integrar pessoas, pois exige saber interagir pra prevalecer a beleza, mesmo quando se está lutando.
[ Menino, quem foi seu mestre? ]
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