Foi publicada uma matéria na Folha de São Paulo, do dia 17 de Maio de 2008, que conta da decisão do Ministério Público da Bahia de recolher o livro “Sim, Sim! Não, Não!” do Padre Jonas Abib, fundador da comunidade católica Canção Nova.

O motivo: contém críticas a práticas espíritas e de religiões afro-brasileiras.
Alguém poderia dizer que o Padre tenha sido um pouco duro em suas colocações. Eu mesmo nunca li o livro, mas acompanho o trabalho da CN a mais de 10 anos e tenho um amigo vivendo nela. O Padre Jonas não é um qualquer falando ou criticando algo que ele não conheça. Trata-se de um padre – com formação acadêmica séria: teologia e filosofia; um homem da mídia e notório pregador da fé cristã católica. Quando o vemos falar ou lemos o que escreve, percebemos um homem culto e bem fundamentado em seus argumentos. Tem o respaldo e o apoio de muitos bispos e o testemunho de um trabalho consagrado e reconhecidamente forte no Brasil e no mundo a mais de 30 anos.

Mas, mesmo que se tratasse da opinião de um qualquer, censurar um livro e proibir sua venda é ato, de um orgão público (do Estado), lícito num país que se diz democrático???

Lutamos décadas pela liberdade que temos hoje e a possibilidade de nos expressarmos como quisermos. Foram longos anos de ditadura e mordaça. Vencemos os medos. Se estamos num “país livre” (adoro essa expressão – acho que já não significa nada; foi esvaziada de significado pelos discursos estadunidenses, mas…), nada mais justo o debate, até no âmbito religioso.

Eu, como teólogo, tenho que defender o Padre Jonas Abib. Se não pudermos comparar o que cremos com o que está aí no “mercado religioso”, nosso trabalho será apenas andar em círculos e nos fecharmos dentro de nosso mundo cristianizado.

Aqueles que discordam do sr. Padre Jonas, escrevam seus livros. Debatam. Pensem.

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P.S.:
Os Srs. Promotores da Bahia não têm nada mais grave pra investigar?
Não é do nordeste que vêem as principais denúncias de prostituição infantil e turismo sexual no Brasil???
Acho que isso é mais importante que a opinião do Padre sobre Candomblé e tem mais a ver com o trabalho do Ministério Público.

[Copiei a idéia desse artigo do blog: Xô Censura.]